É muito interessante o número de pessoas que admiram as belas palavras de Mário Quintana, admiradores de Mário Quintana é muito certo que superam em número aos de leitores e admiradores da obra de Mario Quintana. A diferença entre os dois começa pelo nome, o Quintana que nascido em Alegrete raramente falava de amor, o que tem muitos admiradores dá conselhos como fosse um personagem de novela da Globo no último capítulo.
Mario Quintana tem livros publicados, nem é caro... inclusive se procurar, na Estante Virtual por exemplo, um livro pode custar coisa de R$3,00, Antologia Poética pode ser encontrado por R$8,00... já o Mário Quintana que está na internet é de graça, e é uma grande quimera de diferentes autores. Maioria dos leitores de Mário Quintana talvez ficariam decepcionados ao ler Mario Quintana, e realmente nenhuma obrigação há de gostar de Mario Quintana, para muita gente faz mais sentido as palavras de Mário Quintana. Mas seria interessante Mário Quintana deixar de existir (o que é duvidável de acontecer) e só as palavras bastarem com seus verdadeiros autores, autores que tendo suas palavras conhecidas como de autoria de Mário Quintana são até mais negligenciados que o verdadeiro Mario Quintana.
A quem tiver curiosidade de saber um pouco mais sobre as confusões de autoria, no orkut eu creio ainda existir uma comunidade chamada O Verdadeiro Mario Quintana.
Dizemos, pensamos e fazemos muitas coisas... geralmente sabemos explicar o porque de cada coisa nossas motivações, sobretudo temos opiniões sobre nós mesmos que nos justifica, ou por vezes outros tem opiniões que nos justifica... ou talvez tudo isso um pouco... ou mesmo nada disso dito... Eis aqui a questão que parece lenga lenga de livro de auto-ajuda, misticismos frutos de opiáceos ou mero devaneio pós Descartes: Construimos pelo nosso saber uma prisão, sabendo vamos trilhando indefinidamente, sem considerar qualquer coisa que não sabe ou não achou necessário... ignorando que cada qual sabe coisas diferente e parecem comungar do mesmo saber. Não muito preciso, mas questão não é aqui de saber mais ou menos, questão é de como se sabe. Saber para não saber é a maior armadinha que se pode cair, armadilha que funciona muito bem. Não é bem questão de duvidar de tudo, mas de não ter verdade construída... tal como construímos tão facilmente a imagem de nossa inocência, nossos hábitos freqüentemente não nos faz criminosos... temos nossos motivos... motivos que ninguém mais entenderia.
Existem algumas coisas que são vergonhosas a uma pessoa levar a sério, por exemplo: assistir ao Fantástico e suas matérias sobre problemas de comportamento, relacionamentos, etc. Ainda que péssimas e vergonhosas, principalmente pela atuação de psicólogos sempre convidados a dar validade a matéria, ainda assim há seu lado interessante. Um profissional clínico de psicologia sabe, sem assistir ao Fantástico, se teve o programa abordou algum distúrbio por exemplo, pois consultórios ficam muito mais cheios. É interessante que a televisão quem providencia esta pessoa a procurar um psicólogo, um médico, nutricionista, etc. No programa de ontem me chamou atenção uma matéria que discutia os males que as brigas dos pais fazem aos filhos, ao mesmo tempo se falava de providenciar um ambiente de verdade... paradoxo da hipocrisia! A criança que a televisão inventa é cada vez uma criança ignorante, alienada, irresponsável, incapaz e portanto deve ser protegida de todos os males, deve apenas vivenciar "coisas boas". Não é preciso ser um gênio, nem ter doutorado em psicologia, basta ter a experiência de viver para saber que, apesar de nem tudo sabermos, sabemos suportar algo da dor quando temos alguma experiência de dor. Quem sempre protegido de todos os males, acaba incapaz de viver por si só, e mais que isso não sabe reconhecer o que lhe são males e bens... incapaz de saber se sofre ou não, querem muitas vezes que um profissional o diga se ele está sofrendo... muito adulto para contar com os pais para cuidar dele, mas com a televisão ele pode sempre contar.
Esta semana voltei humildemente a ler sobre cinema, e para minha surpresa percebi que uma de minhas postagens neste blogger - Cinema e Espectadores - foi baseada em algo que li por volta de uns dois anos atrás, mais especificamente de A Significação no Cinema, de Christian Metz. Motivo que recomecei a ler este livro foi que achava não tê-lo oferecido a devida atenção anteriormente, tendo lido apenas uns poucos textos. Agora me pareceu que, por mais indiferente a minha primeira leitura tenha se dado, foi uma importante leitura que realizada.
"O drama, que recebeu três nomeações ao César 2009, conta a história de pessoas 'que aparentemente não tem nada de especial, mas para cada um deles, sua vida é única', nas palavras do próprio diretor Klapisch. A trama narra a história de Pierre (Romain Duris), um dançarino profissional, que descobre sofrer de uma séria doença cardíaca. A partir daí, Pierre passa a olhar a vida e a todas as pessoas de maneira nova, incluindo sua irmã Elise (Juliette Binoche) e o marido que, por um incidente do acaso, passam a morar em sua casa. A possibilidade da morte dá um novo significado à sua vida, à vida das pessoas à sua volta e à toda vida em Paris."
Li esta sinopse quando busquei saber a respeito da '2ª Edição do Panorama do Cinema Francês no Brasil', que ocorreu de 16 a 25 de junho, e de imediato tive a curiosidade pelo filme. O porque minha curiosidade? - O fato ser sobre 'pessoas que aparentemente não tem nada de especial', mas diria também que por haver um personagem que a morte fez olhar para a vida. Pela sinopse apostei que seria o tipo de filme em que o espectador não é um inteiro voyeur, que seria um tipo de filme nos faz testemunha de algo tão verossímil a ponto de fazer-nos sair do cinema como alguém que dará continuidade a ele. E essa aposta estava certa? - 'Considero que sim!' - A cidade de Paris é a personagem principal do filme, e é uma deliciosa surpresa ver que um de seus personagens coadjuvantes é também espectador, a Paris que vemos é a que faz sentido a este espectador considerar a respeito da personagem principal e seus coadjuvantes, mas não é necessariamente a representação fiel do sentido que ele dá, pois ele mesmo espectador é um personagem e nós somos outros espectadores que não ele (mas já sem a neutralidade que acreditamos ter quando assistimos algo).É um filme que vale a pena assistir.
Este mês estreou um novo seriado na Fox, seu nome: Mental
Em sua publicidade existem diferentes atrativos, basta fazer uma busca pela internet para descobrir notícias de que é um seriado rodado na Colômbia, ou que nele há uma personagem lésbica. Em sua sinopse: “Psiquiatra usa habilidade de penetrar na mente de seus pacientes para ver como eles pensam e cria métodos de tratamento muito pouco ortodoxos”.
O seriado pretende ser inovador havendo uma clara descentralização do tratamento na farmacologia para “outra coisa”, e nessa “outra coisa” é que o seriado ganha uma dimensão pobre daquilo que ousa retratar que é a utilização de métodos pouco convencionais de tratamento. É incrível que em uma hora de episódio seja possível ater-se a detalhes que possíveis fazer conhecer a forma de intervir no sofrimento mental dos seus pacientes e realizá-las, ao fazer isso coloca a loucura em uma lógica na qual qualquer um tem condições de compreender se tiver interesse e boa vontade de ajudar, de fazer o bem. Que o tratamento psiquiátrico deve conter alternativas outras que não apenas a farmacológica é afirmativamente uma aposta válida, e muito, no entanto não é apostando a veracidade de nossos próprios valores, tais como família, trabalho, amor, companheirismo, verdade, entre outros que se encontra o lugar da loucura em habitar fora de um hospital psiquiátrico. Se chamamos algo de louco é porque este encontra-se em um campo diferente aos valores sociais que compartilhamos, ou melhor, que achamos compartilhar. O amor de uma erotomaníaca é um exemplo de valor (amor) que para um ouvinte desavisado parece expressar o sentimento verdadeiro que daquilo que chamamos por amor, mas se para um ouvinte desavisado “parece” é porque antes de conhecer a história este ouvinte quer julgar se verdade ou não, enquanto na loucura procede como no slogan do filme Estamira, e que fala da própria: Tudo Que É Imaginário Tem, Existe, É.
Assistindo aos três episódios, que até então foram ao ar, fica uma sensação da medicina ser a única responsável por tratar esquizofrenia, como sendo irrelevante um tratamento interdisciplinar, e mais que isso, parece que tratar da loucura é tratar apenas do louco, isso equivale dizer que nada do social é de comprometimento com a loucura.
É considerável dar uma chance ao seriado mostrar-se menos ingênuo, até agora pouca coisa nele apareceu que condiz com a realidade dos tratamentos psiquiátricos que não manicomiais, o seriado faz parecer que o sistema de tratamento em saúde mental nos EUA está extremamente atrasado, pelo menos essa é a consideração que alguém com experiência em saúde mental tem ao assistindo a série