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03 setembro 2011

Ocupação UFF

Minha pretensão nesta postagem é a de registrar um acontecimento que sinceramente me surpreendeu. Não imaginava que antes de terminar a faculdade veria uma manifestação dos alunos da Universidade Federal Fluminense como agora acontece e, principalmente, não pude deixar de surpreender por tamanha participação do curso de psicologia nos debates que estão ocorrendo. Hoje a UFF é uma das universidades do país que os estudantes ocuparam a reitoria, manifestações em diversos lugares do país estão acontecendo e raramente são divulgadas pelas grandes mídias, e quando algo se comenta é sem profundidade e baixa qualidade, demonstrando lamentavelmente um desinteresse em fazer um jornalismo investigativo.
Algumas referências podem ser apontadas para situar o que realmente está acontecendo de manifestação dos estudantes, neste sentido foi criado um blog para divulgar as atividades da ocupação, que foi nomeada Maria Cremilda e Manuel Gutiérrez , pelo endereço http://ocupauff.wordpress.com/

15 fevereiro 2011

TDAH

Ontem fui buscar meu primo de 9 anos na escola, mesma escola que estudei e que me é ao mesmo tempo tão estranha, meu primo portava um livro chamado "Mundo da lua" e achei legal ele ler porque "No mundo da lua" era um programa que pertenceu a minha infância. Perguntei se ele estava gostando, se divertindo com o personagem homônimo, suas aventuras em que até o avô participava, e me respondeu que não chegado a nada assim, peguei o livro e constatei que seria impossível, pois não era o que eu pensava, tratava-se de um livro sobre TDAH.
Personagem como Lucas, em Mundo da Lua da TV Cultura, e Menino Maluquinho, do Ziraldo, são praticamente combatidos pelo que se entende por TDAH, uma verdadeira contradição contemporânea. O especialista no livro em questão, em entrevista a Marília Gabriela, afirmou que desde o século 18 existem relatos indicando a existência do transtorno, mas não diz como que pessoas viviam com este transtorno, talvez porque a maior preocupação do especialista esteja em torno de legitimar os tratamentos contemporâneos. A intervenção mediocamentosa é a principal forma de tratamento, medicando uma forma de existir, adequando comportamentos. Estranha contradição de nossa sociedade pregar o respeito pelas diferenças e, ao mesmo tempo, dar sentido para algumas diferenças como doença. Aceitar o status de doença é uma forma intessante de livrar-se do peso de existir, pela doença não se tem responsabilidade e apenas é possível sofrer seu mal, o diagnóstico indica a possibilidade de viver sem culpa uma incapacidade.
A Ritalina, que usada para amenizar o TDAH, recebe como apelido "a droga da obediência" e chega a ser irônico, "A Droga da Obediência" é o nome de um livro escrito por Pedro Bandeira, que era muito comum recomendada a leitura na própria escola. Demais irônico que hoje ao invés do livro a escola recomenda a própria droga, assim como pais que leram o livro aceitam médicos a prescrevendo, e crianças aprendem com o TDAH que tem exemplos na vida em que superação não existe.
Em suma, quando ouço alguém legitimando o TDAH e da Ritalina não consigo deixar de lembrar da música Another Brick in the Wall de Pink Floyd. Abaixo encontram-se o clipe desta música e uma matéria da Globo News sobre o assunto.



03 janeiro 2011

História de novela

Joana sonhava em encontrar um homem romântico e carinhoso, destes valorizam uma mulher e apenas apenas fazem delas troféus de suas conquistas sexuais.
Conheceu Ricardo, um rapaz tímido mas corajoso o suficiente para em público presentea-la com flores, nas gentilezas de Ricardo reconheceu que aquele era o homem que sempre sonhou. Foi com bastante felicidade de aceitou ficar noiva com um pouco mais de um ano de namoro.
Quando Joana conheceu Sérgio, no dia que ambos começavam um curso de fotografia, não era possível imaginar que aquela mulher tão satisfeita com seu noivo se lançaria aos braços de outro. Sérgio não era como Ricardo, não tinha como atributo ser atencioso, era mais um tipo meio blasé, trocava de mulheres como quem troca de roupa. Joana por uma semana estava sempre perto de Sérgio e sempre encontrava um meio de tocá-lo, até mesmo enconstar a cabeça no ombro indiferente dele. Quando Sérgio tentou beijá-la ela evitou perguntando se ele sabia que ela era comprometida, Sérgio respondeu que sabia disso e tentou novamente sem desta vez ela hesitar.
Por alguns meses Joana era de dois homens, mas tudo acabou entre ela e Sérgio no dia que ele confidenciou que estava gostando dela. Joana afirmou que eles tinham algo muito carnal e que aquilo nunca poderia vir a ser amor, que ficou preocupada que naquelas semanas anteriores estavam parecendo um casal quando deveriam ser apenas amantes. Sérgio ia embora quando ela disse que o queria pelo menos uma última vez, achou aquilo mesquinho, e ela ainda o tentou explicar que Ricardo a amava e que fazia parte de sua vida, com Ricardo ela disse que tinha carinho, afeto e companheirismo.
Sérgio voltou a trocar constantemente de mulheres, isso o permitiu esquecer Joana. As palavras de Joana permitiram também desiludir-se que finalmente se apaixonaria. Sérgio nunca foi de dizer amar ninguém, mas tinha a opinião que amor não era como nas novelas (onde o amor vem primeiro e depois a intimidade), para ele o ato de amar estava seguinte a intimidade social e do corpo dos amantes.
As palavras de Joana demonstraram para Sérgio uma mulher que ele não tinha intimidade e logo não poderia por ele ser amada. Joana disse que Ricardo a amava e estava certa na flexão do verbo, não sabia quando disse isso havia também Ricardo conhecido outra mulher e alguns meses depois terminaria o noivado.
Joana perguntou para Ricardo do porquê dele fazer aquilo, ela fatalmente não gostou da resposta. Ricardo afirmou que por mais que gostasse da companhia dela e tivesse tanto carinho e afeto era pouco, faltava paixão, sentia que estavam presos a uma vida fria e que possivelmente só ficaram juntos porque ele tinha medo da solidão.
Joana, já solteira, procurou Sérgio. Disse que estava bastante arrependida da decisão que tomou e que esperava eles pudessem uma nova chance dar um ao outro. Sérgio disse para ela continuar a vida, e não era possível ele querer mais nada com ela, que esta chance já havia passado quando era uma decisão e não apenas uma falta de escolha.

Joana treme de raiva quando houve Roberto Carlos ou a Gal Costa cantar Sua Estupidez.

25 outubro 2009

Televisão

Existem algumas coisas que são vergonhosas a uma pessoa levar a sério, por exemplo: assistir ao Fantástico e suas matérias sobre problemas de comportamento, relacionamentos, etc.
Ainda que péssimas e vergonhosas, principalmente pela atuação de psicólogos sempre convidados a dar validade a matéria, ainda assim há seu lado interessante. Um profissional clínico de psicologia sabe, sem assistir ao Fantástico, se teve o programa abordou algum distúrbio por exemplo, pois consultórios ficam muito mais cheios. É interessante que a televisão quem providencia esta pessoa a procurar um psicólogo, um médico, nutricionista, etc.
No programa de ontem me chamou atenção uma matéria que discutia os males que as brigas dos pais fazem aos filhos, ao mesmo tempo se falava de providenciar um ambiente de verdade... paradoxo da hipocrisia! A criança que a televisão inventa é cada vez uma criança ignorante, alienada, irresponsável, incapaz e portanto deve ser protegida de todos os males, deve apenas vivenciar "coisas boas".
Não é preciso ser um gênio, nem ter doutorado em psicologia, basta ter a experiência de viver para saber que, apesar de nem tudo sabermos, sabemos suportar algo da dor quando temos alguma experiência de dor. Quem sempre protegido de todos os males, acaba incapaz de viver por si só, e mais que isso não sabe reconhecer o que lhe são males e bens... incapaz de saber se sofre ou não, querem muitas vezes que um profissional o diga se ele está sofrendo... muito adulto para contar com os pais para cuidar dele, mas com a televisão ele pode sempre contar.