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31 agosto 2014

Tinder e Reflexões


A internet é sem dúvidas um meio de muito potencial. Não apenas positivo, devemos pensar o que dela nos é negativo. As redes sociais existem com ou sem internet, mas cada dia estamos mais crentes que rede social é apenas o virtual, tanto que não é incomum a pressa em transformarmos pessoas que no dia a dia conhecemos em mais um amigo virtual.
O assunto é amplo, mas gostaria de me restringir um pouco mais a um aplicativo de celular. Quero refletir um pouco sobre o Tinder. 

Confesso ter uma conta no Tinder e não vejo problema nisso, pela forma como uso e me exponho. Sim, Tinder é uma exposição. Mas, pensando bem, também nos expomos quando em qualquer lugar onde existam outras pessoas presentes , e o que faz diferença é a propaganda que fazemos de nós mesmos. Acho muito difícil pensar esta maneira de se expor. Como se expor em uma rede social que visa favorecer pessoas se encontrarem sem que por meio de estratégia de manipulação de sua própria imagem?
Não quero dizer apenas de algo físico quando digo de manipulação de imagem, digo de algo mais amplo. É impressionante a quantidade de descrições onde a formação acadêmica é usada, time de futebol e naturalidade são também alguns dos atributos usados em descrições, sem contar signos e que citações onde Clarice Lispector e Tati Bernadi são campeãs em receber autoria pelo texto. Nem fazia ideia de quem era Tati Bernardi e confesso que, ao escrever esta postagem, fui buscar algo dela e me deparei com este texto em seu blog, chamado Tinderelas (clique no título para ler no blog), e que muito diz daquilo que penso do Tinder. 


Penso que podemos mesmo ter a atitude de meramente tratar as pessoas expostas no Tinder como mercadorias. Mas será que já fora do Tinder não fazemos isso a um certo tempo? As mulheres são a muito tempo tratadas como gostosas pelos homens, e isso não deve servir de desculpa para considerar como coisa natural. Na verdade, penso que tanto homens e mulheres se tratam como mercadorias, Rafael Primo ilustrou isso muito bem em seu curta-metragem Produto Descartável (clique no título para assistir). Temos nossas doses de machismo, com quais homens e mulheres ainda insistem a desenvolver suas relações afetivas, onde estamos impregnados de imagens daquilo que é atitude de um homem e de uma mulher (mulher deve fazer isso, homem deve ter aquilo). Nossos valores mais singulares são esmagados pelo que socialmente devemos valorizar e procurar obter em um homem e em uma mulher.
Sinceramente, não sei o que dizer a uma mulher a quem ocorreu match (quando as duas pessoas coincidem de dar like uma a outra), e isso é igual ao que me acontece quando falo com qualquer pessoa que não conheço. Acho bom quando uma pessoa não sabe o que dizer, merece desconfiança quem sabe exatamente o que dizer. Não faço entrevista de emprego, a pessoa diz aquilo que desejar dizer (coisas que gosta, o que pensa da vida, como é a experiência com o Tinder. Conversando desta forma é bastante comum me dizerem também de outras experiências que tiveram com outros matches, sendo muito recorrente me dizerem que a maioria dos caras escrevem pouco, muitos são tarados ou já vão de cara pedindo o whatsapp ou facebook.
Minha impressão é que as pessoas no Tinder buscam o impossível e esquecem que pessoas tem também suas próprias vontades, seus próprios desejos. Não existe pessoa que corresponda a todos os atributos que valorizamos, tio Freud nos ensinou isso a muito tempo.

O problema o Tinder não é o aplicativo, mas como seus usuários o utilizam. Minha principal impressão é que as pessoas não sabem conversar e na primeira diferença que não corresponde ao que elas idealizam, já se faz motivo para desfazer o match. O maior perigo desta atitude é a perda de vínculo verdadeiramente humano, porque o outro falha e nós também. Desculpamos nossas próprias falhas, mas o outro não queremos nem ao menos dá-lo meio de dizer como explica sua falha.

Ainda somos românticos... a diferença é que, neste discurso amoroso do contemporâneo, temos cada vez mais recursos que responsabilizamos por estarmos só.

13 abril 2013

A arte de ficar em cima do muro

Já fazia bastante tempo que não escrevia neste blog. Depois de todo o tempo desde a postagem que possível visualizar, fiz uma postagem na qual criticava ideias presentes em um perfil do Facebook, quanto ao #Orgulho Hétero. Resolvi apagar a postagem, depois de um debate decepcionante quanto a atual polêmica envolvendo o programa Pânico na TV, com Gerald Thomas e Nicole Bahls.
Desde que comecei estudar psicologia, em meu encontro com textos como "Cheguei até a encontrar travestis felizes" de Félix Guatarri, vi que pensar gênero não era algo tão simples. Resolvi apagar a postagem e qualquer outra coisa que tenha escrito antes quanto o assunto, pois fui confrontado com a acusação de ser mal informado. Pensei, anteriormente, que concordava com aquilo que o movimento feminista reivindica, achava que era uma questão de luta por igualdade, fui informado que não se trata disso exatamente.
Vou ignorar todo o meu percurso, pois talvez por ser homem e heterossexual eu seja incapaz de compreender e me pronunciar ao assunto. Deixarei as reflexões deste assunto com feministas e movimentos de defesa aos direitos GLBT. Vou continuar estudando o assunto, escondido, mas não ousarei dizer qualquer coisa que pense sobre violência de gênero.

17 maio 2012

Moralismo X Saúde


A política de redução de danos é uma direção de tratamento que qualquer profissional de saúde deve conhecer, ainda que por motivos pessoais não concorde. Há outras diversas políticas de tratamento diretrizes que profissionais de saúde não consideram adequados, na saúde mental se tem hoje a ênfase pela atenção psicossocial a direção de trabalho com pessoas que sofrem de transtornos mentais, isso não exclui existir defensores da direção manicomial existirem, mas é certo que a opinião pessoal não poder ser exclusiva e transgressora às políticas públicas.

Em uma matéria sensacionalista, que claramente desconhece ou preferiu ignorar toda a discussão em torno do tratamento em saúde pública aos casos de álcool e outras drogas, o jornalista Francisco Edson Alves, do jornal O Dia, foi bastante infeliz em seu dever ético como jornalista ao escrever a matéria  Saúde Defende a Maconha.

O código de ética profissional, conforme pode ser acessado pela FENAJ, atribui para a conduta do jornalista no Art. 4º "O compromisso fundamental do jornalista é com a verdade no relato dos fatos, 
deve pautar seu trabalho na precisa apuração dos acontecimentos e na sua correta divulgação."

Ao livro Toxicomanias: incidências clínicas e socioantropológicas o jornalista  escreve em tom de crítica: "Já na página 248, uma ‘dica’ inusitada e perigosa: “... 100 gramas de maconha podem ser considerados uma quantidade razoável para um usuário diário”. Sua postura diante trabalho dos autores é o que distorção daquilo que se debate no texto "O usuário de drogas", no subtítulo "Critérios para identificação do usuário". O que os autores estão debatendo não é a quantidade de drogas que um usuário é recomendado usar, os autores estão debatendo a identificação deste usuário ao invés de prontamente criminalizá-lo em igualidade ao traficante. Tentando preservar aquilo que os autores diziam, é  bem diferente alguém que tem em posse 100 gramas de maconha e alguém que tem 100 gramas de cocaína.

É merecedor de repúdio uma leitura tão leviana como a do jornalista, sua atitude irresponsável com a informação é de apropriar seus leitores a reforçar seus preconceitos ao invés de propiciá-los uma inserção ao debate em questão. A redução de danos é uma direção de trabalho em saúde, não é apenas algo apenas no Brasil discutida, outros países. Também é leviano reputar apenas o jornalista promover aos seus leitores uma opinião tão ignorante e distorcida dos fatos, o jornal O Dia é ainda mais merecedor de repúdio que o jornalista.

15 fevereiro 2011

TDAH

Ontem fui buscar meu primo de 9 anos na escola, mesma escola que estudei e que me é ao mesmo tempo tão estranha, meu primo portava um livro chamado "Mundo da lua" e achei legal ele ler porque "No mundo da lua" era um programa que pertenceu a minha infância. Perguntei se ele estava gostando, se divertindo com o personagem homônimo, suas aventuras em que até o avô participava, e me respondeu que não chegado a nada assim, peguei o livro e constatei que seria impossível, pois não era o que eu pensava, tratava-se de um livro sobre TDAH.
Personagem como Lucas, em Mundo da Lua da TV Cultura, e Menino Maluquinho, do Ziraldo, são praticamente combatidos pelo que se entende por TDAH, uma verdadeira contradição contemporânea. O especialista no livro em questão, em entrevista a Marília Gabriela, afirmou que desde o século 18 existem relatos indicando a existência do transtorno, mas não diz como que pessoas viviam com este transtorno, talvez porque a maior preocupação do especialista esteja em torno de legitimar os tratamentos contemporâneos. A intervenção mediocamentosa é a principal forma de tratamento, medicando uma forma de existir, adequando comportamentos. Estranha contradição de nossa sociedade pregar o respeito pelas diferenças e, ao mesmo tempo, dar sentido para algumas diferenças como doença. Aceitar o status de doença é uma forma intessante de livrar-se do peso de existir, pela doença não se tem responsabilidade e apenas é possível sofrer seu mal, o diagnóstico indica a possibilidade de viver sem culpa uma incapacidade.
A Ritalina, que usada para amenizar o TDAH, recebe como apelido "a droga da obediência" e chega a ser irônico, "A Droga da Obediência" é o nome de um livro escrito por Pedro Bandeira, que era muito comum recomendada a leitura na própria escola. Demais irônico que hoje ao invés do livro a escola recomenda a própria droga, assim como pais que leram o livro aceitam médicos a prescrevendo, e crianças aprendem com o TDAH que tem exemplos na vida em que superação não existe.
Em suma, quando ouço alguém legitimando o TDAH e da Ritalina não consigo deixar de lembrar da música Another Brick in the Wall de Pink Floyd. Abaixo encontram-se o clipe desta música e uma matéria da Globo News sobre o assunto.



30 dezembro 2010

Nem tão contra ao bullying...

Falar de bullying é a moda deste momento, uma coisa que sempre existiu e continuará acontecendo mas que agora nomeada por um nome técnico, em sua descrição¹ "Bullying é um termo em inglês utilizado para descrever atos de violência física ou psicológica, intencionais e repetidos, praticados por um indivíduo (bully - «tiranete» ou «valentão») ou grupo de indivíduos com o objetivo de intimidar ou agredir outro indivíduo (ou grupo de indivíduos) incapaz(es) de se defender. Também existem as vítimas/agressoras, ou autores/alvos, que em determinados momentos cometem agressões, porém também são vítimas de bullying pela turma."
Um grande problema com esse modismo é a sua imprecisão, pois por violência psicológica é fácil demais enquadrar toda e qualquer tipo de crítica que outrem atribui a um indivíduo. É no mínimo paradoxal, pois a chance de existir alguém que não tenha como origem violência psicológica é nula, a vida psíquica humana nasce de violência psicológica, viver como ser humano é lidar com o desprazer de nunca estar completo ou tendo alcançado uma finalidade. Por "estar completo" e "alcançado uma finalidade" quero dizer que não somos livres, sempre necessitamos como seres sociais de lidar com insatisfações próprias e de outros, coisas pequenas como ouvir um "não" é uma forma de violência que retira do ego a possibilidade de se limitar a ele próprio, de ter de dar conta de ter outro objeto.
Fazer com que agressões sejam desde cedo desencorajadas tem sua coerência, já foi tempo que agredir alguém era fazer justiça com as próprias mão e, mais ainda, vivemos em uma época que não é o castigo sobre o corpo que legitima poder, poder é legitimado com dinheiro, beleza e sucesso. Quando uma criança chama a gorda de Free Willy, ou mesmo quando chama de um simples "orelha de abano", é uma espécie de "bem-vindo ao mundo real", porque geralmente não é mamãe que diz "Você está gorda como uma baleia.", tal como o mundo olha para uma pessoa obesa, até a Organização Mundial de Saúde considera obesidade um problema, no entanto parece que existe uma esperança que pessoas decidam deixar de ser obesas por vontade própria ao invés de buscar emagrecer para poder dizer "Pude deixar de ser gorda, difícil agora é você deixar de ser um(a) idiota!"
Devo concordar com parte dos argumentos de Marco Antonio Araujo em Sou a favor do bullying. Criar crianças que aprendam a chorar ao invés de se impor frente as opiniões negativas dos outros é cruel, é querer fazer um bem que frequentemente leva a um mal ainda pior.
No dia que para pessoas adultas não julgarem outras pessoas adultas por: Ser negro demais/ negro de menos/branco demais/ branco de menos, muito religioso/nada religioso, gordo demais/magro demais, ser muito pobre/ ser muito rico, ser muito gay/ ser muito hetero, beber demais/ não beber, ser sincero demais/ ser pouco sincero/ ser mentiroso demais, etc, daí repensarei meus conceitos.
A minha opinião a respeito do bullying é que as escolas são cada vez menos destinadas a promover conhecimento, a tarefa de professores policiar seus alunos é vergolhosa - seja pelo fato do professor ser pessimamente remunerado ou por retirar dos pais o dever de educar adequadamente seus filhos (se a escola não encontra problemas com ele está tudo certo!).

1- Extraído do Wikipédia

01 dezembro 2010

Preconceito aos moradores de favela

Pessoas estão quase orgulhosas da ação que foi promovida na chamada "Guerra ao Tráfico" no RJ, e digo "quase" porque não é raro o lamento de que A BANDIDAGEM não foi eliminada, como que voziferando que todo e qualquer crime e violência tem por motivo a existência daqueles pobres.
Para muitos dos que assistem os ocorridos na Vila Cruzeiro e Complexo do Alemão, mais especificamente os que de longe sabem o que é um morador de favela, está acontecendo uma onda de reclamações infundadas dos moradores às ações policiais.
Pessoas não acreditam que um morador de favela possa juntar 31mil reais, para elas ser morador de favela é ser miserável e incapaz de conseguir dinheiro razoável quando de forma honesta. O policial é muito capaz também de pensar assim e por isso mesmo nenhum problema haveria em confiscar, é uma hipótese. Em minha opinião: No meio do que acontecia, deixar dinheiro em casa não era uma opção inteligente. E dois fatos: Traficante não entra em casa de morador da roubar, o Estado dominar o terrirório que dominado pelo tráfico e isso não significa ter perdido seus agentes corruptos.
Saindo da particularidade de um caso, o geral é que o preconceito ao morador de favela continua impune. O morador de favela é associado ao crime das mais diversas formas, seja como prestador de serviço ou como cúmplice.
Existe quem brada que aquela população não tem o direito que reclamar qualquer incovenientes das ações policiais, que aquelas pessoas deveriam sentir-se plenamente gratas por serem libertadas do tráfico. É uma realidade que pessoas conquistaram parte de sua liberdade, pelo menos por enquanto, mas diferente da maioria da população vivem em estado de excessão, quando circulam tem de provar o direito de transitar, quando abordados tem a obrigação de ter a sorte de não estar desempregado. Podem, neste momento, não serem reféns do tráfico, mas ainda não foram acolhidos pelo estado. Não são respeitados, são considerados pelas autoridades criminosos até provarem o contrário.
A população de favela merece dignidade, merece respeito. Trinta anos de negligência do Estado não podem ser ignorados. O Estado não é herói, pela primeira vez cumpriu sua obrigação. As comunidades em questão não estão no Haiti, estão aqui no Brasil, são brasileiros que precisam ter direitos assegurados, ter: educação, trabalho, saúde, lazer. É uma população que sabe o que é viver o medo, acostumou-se com o som de tiros, que aprendeu a não confiar em polícia por apanhar dela e ser tratado como bandido. Uma população vivia uma violência que invisível aos olhos da classe média e alta, a mesma classe média e alta que faz compras no shopping junto ao exportador de armas e/ou drogas.
Enquanto favelados forem tratados como bandidos, não se poderá culpar¹ plenamente os que aceitaram sê-lo. Viver uma vida de insultos é bem diferente do que a maioria das pessoas são capazes de imaginar. Não são do tipo de pessoas que podem simplesmente deitar em um divã contando suas mágoas e sairem com o sentimento que estão encarando os seus desejos e angústias, são ao contrário pessoas que muito marcadas pela limitação de desejar e fantasiar. O "cidadão" da favela não falta na escola porque está agorofóbico, ele falta porque ele sabe que pode levar um tiro.

1- Não implica merecer impunidade, o que se considera aqui é uma questão de culpa e responsabilidade que nem sempre são atribuições do mesmo ser. Neste caso, o indíviduo deve ser responsabilizado de seus atos, mas a culpa não pode interamente se atribuir a ele, há de considerar que desenvolveu-se uma cultura de prestígio da marginalidade que moralmente oposta ao que estabelece o estado, o próprio Estado deu meios para essa cultura se desenvolver, o Estado agindo exemplo ao dono de um cão raivoso, um dono que sai de casa e deixa o portão aberto: ele não pode simplesmente culpar e responsabilizar o cão de morder o carteiro.

Abaixo estão alguns comentários* feitos por leitores da matéria Moradores denunciam possíveis abusos de policiais no Alemão:

  • "Só quem tem raiva de polícia e bandido , e bandido é bala pq estamos cansados de pagar para eles passarem uns tempos comandando o tráfico da cadeia e comendo as nossas custas."
  • "só rindo mesmo!!! essa gente acha que o Rio de Janeiro e o País tem obrigação de cuidar deles.
    To cansado de pagar imposto de tudo enquanto essa gente não faz nada a não ser aparecer pra dar problemas e reclamar de alguma coisa...não pagam absolutamente NADA....não fazem nada pelo estado."
  • "Toda esta revolta contra a polícia é saudade do tempo em q corria grana fácil na favela."
  • "(...) Se vc fosse moradora do rio de janeiro teria oa mesma repugnação sobre as favelas como a maioria da população carioca tem. é muito facil defender bandido e favelado quando nao os tem eles morando do lado.Graças a deus não é o meu caso."
  • "Ontem estavam reclamando que estavam sem água, hj roubam as torneiras e deixam a água jorrando e sendo desperdiçada!!!
    Agora fala aí: pagam IPTU? Água?Luz? Taxa de iluminação Pública? E ainda acham que tem direito de reclamar alguma coisa!"
  •  "O familiar é conivente, tem bandido em todo lugar da comunidade,se não é traficante é olheiro,ou é avião, ou é vigia, ou é embalador de droga...cada familia da favela tem sua participação,ou direta ou indiretamente"
  • "sim , concordo, é muito facil reclamar de prefeitura e governo...o exemplo vem de casa, se seu filho se tornou bandido a culpa é sua...SÓ , SUA"
  • "já que a comunidade de favelas está presente, então vou dar um conselho...EDUQUEM SEUS FILHOS DIREITO,EDUCAÇÃO VEM DE CASA, EXEMPLOS DE PAI E MAE...PARA ELES NÃO SE TORNAREM BANDIDOS TAMBEM.muito facil e comodo culpar o governo pela educação que voce deu ao seu filho."
  • "Se não é bandido, tem membro da familia que é bandido, é conivente.....absurdo dizer que policiais estavam pegando trocados da casa de favelado...pelamordedeus...deixa de mentira,favela cheia de bandido atirando de fuzil e aparece essa senhora falando de tapinha na cara.(((faça-me o favor!!!!)"
*Os comentários que foram extraídos são de responsabilidade de seus autores.
 

08 setembro 2010

A história de uma vida

A vida é uma história...

A afirmação pode parecer ingênua, ou mesmo redundante, no instante imediato que recebe a afirmação, mas não é se levando em conta que nem tudo permanece registrado ou lembrado.
Que temos todos nossa própria história, isto é cada vez mais falso. Alguns anos li Castañeda e achei muito interessante a atitude de apagar a história pessoal, hoje considero como banalidade apagar a história pessoal, pois os laços de uma pessoa com suas experiências é irrelevante ao homem social, consigo até imaginar o exemplo de alguém que nascido e criado em um lixão o quase completo desconhecimento com quais seus próximos odeia-o ou ama-o. A vida não é um simples resultado de elementos, mas os elementos permitem compor resultados, e se tratando de vida os resultados são sempre imprevisíveis porque, ao contrário que se possa dizer, o passado sempre volta.
Terminei de ler mais um livro de Marguerite Duras Olhos Azus, Cabelos Pretos, ao escrever esta linha percebo que já dizia do livro desde o início de minha postagem, apenas não havia dado-me conta disso. Pretendia dizer o quanto me surpreendi em saber que a autora havia morado próxima a Saigon e que sua mãe era professora primária, tal como a personagem de seu livro O Amante. Já era de meu conhecimento que Marguerite Duras seria uma autora que não simplesmente inventa uma obra com a impessoalidade, ler Marguerite Duras é ler Marguerite Duras, acontecimentos de sua vida são traduzidas em palavras nos seus livros, é um dos poucos exemplos que conheço de alguém conseguir tranformar algo rigorosamente pessoal em público¹. Raramente um vida de interesse público, o homem moderno parece se preocupar mais com "o que fulano tem" que o "de onde ele vem", substituir simplesmente a 1ª pela 2ª não chega a resolver qualquer coisa e sim trato aqui de observar como a impessoalidade é intronizada em nossa pessoalidade, pensamos geralmente o outro como impessoal e por isso sem história senão aquela que costumamos ler e principalmente gostamos de ler.
Tem autores que escrevem aquilo que leitores querem ler, fazem sucesso por não arriscar fazer o leitor expandir sua capacidade de criar significações da realidade, em detrimento atraí para uma representação cristalizada. Talvez a guerra entre humanos e robôs, que de Isaac Asimov foi amplamente adaptada por mais diversos autores, não venha a acontecer. A impressão é que os robôs já estão entre nós, importa muito seu custo X benefício e pouco importa a mão de obra que a produziu, desde que ela enquanto ferramenta dê a produtividade esperada. Dizem por aí que algumas pessoas tem defeito na fabricação, instalação de metilfenidato ou haloperidol ou fluoxetine periodica é recomendada com diversas indicações seu de uso estabelecerem funções normalizadas.
 Fica como reflexão a introdução do filme Trainspotting², dizendo: "Escolha viver. Escolha um emprego. Escolha uma carreira. Escolha uma família. Escolha uma televisão enorme. Escolha lavadoras de roupa, carros, CD players e abridores de latas elétricos. Escolha boa saúde, colesterol baixo e plano dentário. Escolha uma hipoteca a juros fixos. Escolha sua primeira casa. Escolha seus amigos. Escolha roupas esporte e malas combinando. Escolha um terno numa variedade de tecidos. Escolha fazer consertos em casa e pensar na vida domingo de manhã. Escolha sentar-se no sofá e ficar vendo game shows chatos na TV enfiando porcaria na sua boca. Escolha apodrecer no final, beber num lar que envergonha os filhos egoístas que pôs no mundo para substituí-lo. Escolha o seu futuro. Escolha viver.".

1 - Nas palavras de Marguerite Duras "Não existe nada mais público que aquilo que é rigorosamente pessoal."
2 - Vale a pena fazer consideração aqui que o filme é adaptação de um livro homônimo.

14 junho 2009

Mental

Este mês estreou um novo seriado na Fox, seu nome: Mental


Em sua publicidade existem diferentes atrativos, basta fazer uma busca pela internet para descobrir notícias de que é um seriado rodado na Colômbia, ou que nele há uma personagem lésbica. Em sua sinopse: “Psiquiatra usa habilidade de penetrar na mente de seus pacientes para ver como eles pensam e cria métodos de tratamento muito pouco ortodoxos”.


O seriado pretende ser inovador havendo uma clara descentralização do tratamento na farmacologia para “outra coisa”, e nessa “outra coisa” é que o seriado ganha uma dimensão pobre daquilo que ousa retratar que é a utilização de métodos pouco convencionais de tratamento. É incrível que em uma hora de episódio seja possível ater-se a detalhes que possíveis fazer conhecer a forma de intervir no sofrimento mental dos seus pacientes e realizá-las, ao fazer isso coloca a loucura em uma lógica na qual qualquer um tem condições de compreender se tiver interesse e boa vontade de ajudar, de fazer o bem. Que o tratamento psiquiátrico deve conter alternativas outras que não apenas a farmacológica é afirmativamente uma aposta válida, e muito, no entanto não é apostando a veracidade de nossos próprios valores, tais como família, trabalho, amor, companheirismo, verdade, entre outros que se encontra o lugar da loucura em habitar fora de um hospital psiquiátrico. Se chamamos algo de louco é porque este encontra-se em um campo diferente aos valores sociais que compartilhamos, ou melhor, que achamos compartilhar. O amor de uma erotomaníaca é um exemplo de valor (amor) que para um ouvinte desavisado parece expressar o sentimento verdadeiro que daquilo que chamamos por amor, mas se para um ouvinte desavisado “parece” é porque antes de conhecer a história este ouvinte quer julgar se verdade ou não, enquanto na loucura procede como no slogan do filme Estamira, e que fala da própria: Tudo Que É Imaginário Tem, Existe, É.

Assistindo aos três episódios, que até então foram ao ar, fica uma sensação da medicina ser a única responsável por tratar esquizofrenia, como sendo irrelevante um tratamento interdisciplinar, e mais que isso, parece que tratar da loucura é tratar apenas do louco, isso equivale dizer que nada do social é de comprometimento com a loucura.

É considerável dar uma chance ao seriado mostrar-se menos ingênuo, até agora pouca coisa nele apareceu que condiz com a realidade dos tratamentos psiquiátricos que não manicomiais, o seriado faz parecer que o sistema de tratamento em saúde mental nos EUA está extremamente atrasado, pelo menos essa é a consideração que alguém com experiência em saúde mental tem ao assistindo a série