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21 fevereiro 2011

Eu sou apenas um rapaz latino americano

Considero fantástica toda obra de Belchior, é alguém pouco compreendido. Autor de "Como Nossos Pais", música que tal como a "Eu sou apenas um rapaz latino americano" tem sua crítica a Caetano Veloso e a turma da tropicalia. A música dele fala, não é preciso falar dela.

Eu sou apenas um rapaz latino americano

Eu sou apenas um rapaz latino americano sem dinheiro no banco
Sem parentes importantes e vindo do interior

Mas trago na cabeça uma canção do rádio
Em que um antigo compositor baiano me dizia
Tudo é divino, tudo é maravilhoso

Tenho ouvido muitos discos, conversando com pessoas
Caminhado o meu caminho, papo o som dentro da noite
E não tenho um amigo sequer que ainda acredite nisso não
Tudo muda, e com toda a razão

Eu sou apenas um rapaz latino americano sem dinheiro no banco
Sem parentes importantes e vindo do interior

Mas sei que tudo é proibido, aliás, eu queria dizer que tudo é permitido
Até beijar você no escuro do cinema quando ninguém nos vê

Não me peça que eu lhe faça uma canção como se deve
Correta, branca, suave, muito limpa, muito leve
Som, palavras são navalhas e eu não posso cantar como convém
Sem querer ferir ninguém

Mas não se preocupe, meu amigo com os horrores que eu lhe digo
Isso é somente uma canção
A vida realmente é diferente quer dizer, ao vivo é muito pior

Eu sou apenas um rapaz latino americano, sem dinheiro no banco
Por favor não saque a arma no saloon, eu sou apenas um cantor

Mas se depois de cantar você ainda quiser me atirar
Mate-me logo à tarde, às três que à noite eu tenho compromisso
E não posso faltar por causa de você

Eu sou apenas um rapaz latino americano sem dinheiro no banco
Sem parentes importantes e vindo do interior

Mas sei, sei que nada é divino
Nada, nada é maravilhoso
Nada, nada é secreto
Nada, nada é misterioso não

17 fevereiro 2011

Eu e outro

Não são apenas os outros que não nos entendem, talvez seja fácil e aliviante apontar não ser compreendido. Por vezes leio meus próprios textos antigos, me surpreendo que lembro tê-los escrito apresentando clareza que não consigo por vezes ler. Peguei uma postagem feita a mais de 3 anos e tentei reescrevê-la, achei cansativo e deixei incompleta por enquanto. Quero fazer com que o autor contribua ao meu texto atual, ao reinventar o seu texto quero também transportar um pouco de sua imaturidade, ganhar maturidade também tornou-me um pouco incapacidade de compreender coisas que eu dizia - minha realidade é outra, não é a mesma - não o compreendo mas lembro que ele se sentia diferente de como me sinto, é nisso que ele pode contribuir.

15 fevereiro 2011

TDAH

Ontem fui buscar meu primo de 9 anos na escola, mesma escola que estudei e que me é ao mesmo tempo tão estranha, meu primo portava um livro chamado "Mundo da lua" e achei legal ele ler porque "No mundo da lua" era um programa que pertenceu a minha infância. Perguntei se ele estava gostando, se divertindo com o personagem homônimo, suas aventuras em que até o avô participava, e me respondeu que não chegado a nada assim, peguei o livro e constatei que seria impossível, pois não era o que eu pensava, tratava-se de um livro sobre TDAH.
Personagem como Lucas, em Mundo da Lua da TV Cultura, e Menino Maluquinho, do Ziraldo, são praticamente combatidos pelo que se entende por TDAH, uma verdadeira contradição contemporânea. O especialista no livro em questão, em entrevista a Marília Gabriela, afirmou que desde o século 18 existem relatos indicando a existência do transtorno, mas não diz como que pessoas viviam com este transtorno, talvez porque a maior preocupação do especialista esteja em torno de legitimar os tratamentos contemporâneos. A intervenção mediocamentosa é a principal forma de tratamento, medicando uma forma de existir, adequando comportamentos. Estranha contradição de nossa sociedade pregar o respeito pelas diferenças e, ao mesmo tempo, dar sentido para algumas diferenças como doença. Aceitar o status de doença é uma forma intessante de livrar-se do peso de existir, pela doença não se tem responsabilidade e apenas é possível sofrer seu mal, o diagnóstico indica a possibilidade de viver sem culpa uma incapacidade.
A Ritalina, que usada para amenizar o TDAH, recebe como apelido "a droga da obediência" e chega a ser irônico, "A Droga da Obediência" é o nome de um livro escrito por Pedro Bandeira, que era muito comum recomendada a leitura na própria escola. Demais irônico que hoje ao invés do livro a escola recomenda a própria droga, assim como pais que leram o livro aceitam médicos a prescrevendo, e crianças aprendem com o TDAH que tem exemplos na vida em que superação não existe.
Em suma, quando ouço alguém legitimando o TDAH e da Ritalina não consigo deixar de lembrar da música Another Brick in the Wall de Pink Floyd. Abaixo encontram-se o clipe desta música e uma matéria da Globo News sobre o assunto.



14 fevereiro 2011

Decepções

Algumas coisas na vida são de fácil superação, outras arrancam de modo tão forte crenças que em uma vida inteira construimos de modo a mesma crença não fazer sentido.

Foi o que pensei após pedir um acarajé caprichado na pimenta: pimenta fraquíssima e a baiana ainda disse para tomar cuidado que estava quente... deu vontade de comer comida mexicana.

03 janeiro 2011

História de novela

Joana sonhava em encontrar um homem romântico e carinhoso, destes valorizam uma mulher e apenas apenas fazem delas troféus de suas conquistas sexuais.
Conheceu Ricardo, um rapaz tímido mas corajoso o suficiente para em público presentea-la com flores, nas gentilezas de Ricardo reconheceu que aquele era o homem que sempre sonhou. Foi com bastante felicidade de aceitou ficar noiva com um pouco mais de um ano de namoro.
Quando Joana conheceu Sérgio, no dia que ambos começavam um curso de fotografia, não era possível imaginar que aquela mulher tão satisfeita com seu noivo se lançaria aos braços de outro. Sérgio não era como Ricardo, não tinha como atributo ser atencioso, era mais um tipo meio blasé, trocava de mulheres como quem troca de roupa. Joana por uma semana estava sempre perto de Sérgio e sempre encontrava um meio de tocá-lo, até mesmo enconstar a cabeça no ombro indiferente dele. Quando Sérgio tentou beijá-la ela evitou perguntando se ele sabia que ela era comprometida, Sérgio respondeu que sabia disso e tentou novamente sem desta vez ela hesitar.
Por alguns meses Joana era de dois homens, mas tudo acabou entre ela e Sérgio no dia que ele confidenciou que estava gostando dela. Joana afirmou que eles tinham algo muito carnal e que aquilo nunca poderia vir a ser amor, que ficou preocupada que naquelas semanas anteriores estavam parecendo um casal quando deveriam ser apenas amantes. Sérgio ia embora quando ela disse que o queria pelo menos uma última vez, achou aquilo mesquinho, e ela ainda o tentou explicar que Ricardo a amava e que fazia parte de sua vida, com Ricardo ela disse que tinha carinho, afeto e companheirismo.
Sérgio voltou a trocar constantemente de mulheres, isso o permitiu esquecer Joana. As palavras de Joana permitiram também desiludir-se que finalmente se apaixonaria. Sérgio nunca foi de dizer amar ninguém, mas tinha a opinião que amor não era como nas novelas (onde o amor vem primeiro e depois a intimidade), para ele o ato de amar estava seguinte a intimidade social e do corpo dos amantes.
As palavras de Joana demonstraram para Sérgio uma mulher que ele não tinha intimidade e logo não poderia por ele ser amada. Joana disse que Ricardo a amava e estava certa na flexão do verbo, não sabia quando disse isso havia também Ricardo conhecido outra mulher e alguns meses depois terminaria o noivado.
Joana perguntou para Ricardo do porquê dele fazer aquilo, ela fatalmente não gostou da resposta. Ricardo afirmou que por mais que gostasse da companhia dela e tivesse tanto carinho e afeto era pouco, faltava paixão, sentia que estavam presos a uma vida fria e que possivelmente só ficaram juntos porque ele tinha medo da solidão.
Joana, já solteira, procurou Sérgio. Disse que estava bastante arrependida da decisão que tomou e que esperava eles pudessem uma nova chance dar um ao outro. Sérgio disse para ela continuar a vida, e não era possível ele querer mais nada com ela, que esta chance já havia passado quando era uma decisão e não apenas uma falta de escolha.

Joana treme de raiva quando houve Roberto Carlos ou a Gal Costa cantar Sua Estupidez.

02 janeiro 2011

Lembrança de um vício

Festas tem destas coisas de dificilmente o horário de seu início ser o horário em que realmente começa, neste caso a festa era uma festa ao som de rock que o amigo marcou para comemorar o aniversário, o início era 22hs e já as 22:30 ele foi o primeiro a chegar. Sentou-se em um sofá e observou chegando algumas das poucas pessoas que meia hora se puseram a entrar, o seu amigo aniversariante não havia até então chegado mas pode se fascinar neste pouco tempo por uma bela mulher que entrou no estabelecimento.
Antes mesmo de meia-noite a casa estava lotada, seu amigo chegou e a mulher em meio a tanta gente era ainda fácil de seus olhos encontrar mesmo quando não procurando. O sentimento de alegria por comemorar o aniversário do amigo era grande, era daquele tipo de amigo que é sempre uma alegria encontrar, mas a presença aquela mulher embaçava a vivência desta alegria. Percebeu que não apenas ele notou aquela mulher, passou com isso a propositalmente seus olhos encontrá-la, como quem tinha uma responsabilidade, notou que ela dispensou todos que flertaram com ela e que em algum momento poderia ser ele a ser dispensado.
Eram por volta de 01:30 quando pediu sua primeira cerveja depois de meses sem beber, voltou para a pista agora não muito próximo do grupo do aniversariante e amigos e nem a mulher, enquanto dançava percebeu também que estava na mira de outras mulheres que não o interessou, manteve o desinteresse nestas outras e meia hora após esta ele mais próximo daquela mulher.
Já mais próximo dela sentiu a necessidade de tomar uma outra cerveja, quando voltou aquela mulher o ofereceu um cigarro, ele que também por muito tempo não tinha mais o hábito de fumar não estranhou aceitar aquele cigarro, e nem o incomodou o gosto. Também não entranhou seus lábios alcançarem o dela.
Nunca mais viu aquela mulher, depois das horas que passaram juntos, mas os cigarros ele vê e sente quase todos os dias.

17 dezembro 2010

Figuração de uma vida

Saia todos os dias, pegava sempre o mesmo ônibus no mesmo horário, fazia sempre as mesmas coisas, via sempre as mesmas pessoas, sorria sempre do mesmo jeito, andava sempre com mesmos passos, falava sempre com mesmo tom.

Chegava à casa sempre no mesmo horário, fazia sempre a mesma comida, ouvia sempre as mesmas músicas, lia sempre o mesmo autor, dormia sempre no mesmo horário.
Sentia sempre a mesma dor, ia sempre no mesmo médico, recebia sempre a mesma receita, fazia sempre os mesmos exames, recebia sempre os mesmos resultados.

Um dia tudo mudou. Demorou as pessoas perceberem, e para a maioria foi necessário alguém dizer, a mudança: Wagner havia morrido: suicídio. E foi por isso que por meses não pagou as contas, que faltou ao trabalho, que não foi ao médico. Deixou várias cartas de despedida, e todas elas com datas diferentes. Todas reclamando a vida não ser uma coisa boa. Todas dizendo que o mundo deveria ser diferente. Nenhuma das cartas fazia indicação se um dia ele tentou fazer-se diferente ao mundo.

- Pobre Wagner! Demorou meses para mudar... mas mesma a sua nova condição, a de morto, ninguém a notou por vir a procurá-lo, nada mudou com sua morte.

Wagner teria sido o perfeito exemplo, se alguém lembrasse de sua vida, do quanto viver é mais que apenas ensaiar, representar um único papel, em cenas do cotidiano: Viveu como um ator figurante, sem improvisos e sempre representando um personagem nada marcante, morreu da mesma forma.

13 dezembro 2010

Pergunte ao tempo*

O tempo passa no tempo certo? Ou só como percebemos depois dele passar? Pergunte ao tempo a quanto tempo ele existe. Pergunte se neste tempo foi alguma vez o tempo certo errado, ou o errado certo. Pergunte se ele conhece alguma coisa do seu passado e espera alguma coisa do seu futuro.
Mas não apenas espere resposta, pois é certo que não se sabe o tempo que o tempo responde

Que escravo do tempo tenhamos passado não significa servir com escravidão a todo tempo, nem mesmo mesmo aquele que no devido tempo espera precisa ficar parado ao ver o tempo passsar. Talvez com o tempo haja tempo para o tempo não venha ser ignorado ou superestimado, como quem repete os mesmo erros com o passar do tempo, ou quem não percebe que os tempos não são outros e o tempo é ele próprio o tempo todo.
"Estas rosas sob a minha janela não fazem referência a rosas anteriores ou a rosas melhores; são pelo que são; existem hoje com Deus; é perfeita a cada momento de sua existência... mas o homem adia e recorda. Não é capaz de ser feliz e forte enquanto não viver com a natureza no presente, acima do tempo."¹
 *O texto corresponde a reescrita de uma antiga postagem, título "Questionamentos", neste mesmo blog, a primeira postagem realizada. A escrita original é bastante rudimentar, algo que não diria quando o escrevi. Tive por preferência não deletar, mas seria de bastante satisfação o apagar.
1-
Autor: Ralph Waldo Emerson

26 novembro 2010

Discurso Intelectual

Elite intelectual (Líderes Universitários) é interessante: Eles são solidários ao RJ, acham absurda a violência, e sentem empatia pelo sofrimentos daqueles mais atingido pela violência, no entanto, se um destes pardos favelados tivessem a oportunidade de dizerem o que eles vivem, sua realidade, não sem sarcasmo afirmaria, o intelectual, que viver não é mesmo fácil, e afirmaria quase como quem diz: "Dificuldade todo mundo tem, meu amigo, a sua não é maior que a de ninguém!".

23 novembro 2010

Rio dos meus sonhos

Ontem sonhei com um Rio de Janeiro estranho: o Cristo era Rendido e não mais Redentor; na estação do Metrô em Botafogo 4 pessoas, dentre elas uma criança, haviam ficaram gravemente feridas ao serem pisoteadas por outros passageiros que disputavam um lugar para sentar; maconheiros sofriam arrastão pelos traficantes de quem estavam prestes a comprar os produtos; a concorrência do setor de pedir dinheiro nas ruas chegou a tal ponto que tem modificado a estrutura comercial urbana, livrarias estão fechando e, em seu lugar, um novo tipo de comércio especializado na venda de Guaravita, salgados, biscoitos, cigarros e cachaça está em acensão para atender ao mercado consumidor que  representada pelos pedintes; foi promulgada uma lei que estabelece a obrigatoriedade nas calçadas de caminhar, quando acompanhando outras pessoas, sempre de modo que impedindo as outras que não pertencentes ao grupo consiga passar.
O mais estranho era notar que eu não era assaltado e ninguém me pediu dinheiro... só nos meus sonhos mesmo para descobrir que para ser livre basta andar pelado.

08 setembro 2010

A história de uma vida

A vida é uma história...

A afirmação pode parecer ingênua, ou mesmo redundante, no instante imediato que recebe a afirmação, mas não é se levando em conta que nem tudo permanece registrado ou lembrado.
Que temos todos nossa própria história, isto é cada vez mais falso. Alguns anos li Castañeda e achei muito interessante a atitude de apagar a história pessoal, hoje considero como banalidade apagar a história pessoal, pois os laços de uma pessoa com suas experiências é irrelevante ao homem social, consigo até imaginar o exemplo de alguém que nascido e criado em um lixão o quase completo desconhecimento com quais seus próximos odeia-o ou ama-o. A vida não é um simples resultado de elementos, mas os elementos permitem compor resultados, e se tratando de vida os resultados são sempre imprevisíveis porque, ao contrário que se possa dizer, o passado sempre volta.
Terminei de ler mais um livro de Marguerite Duras Olhos Azus, Cabelos Pretos, ao escrever esta linha percebo que já dizia do livro desde o início de minha postagem, apenas não havia dado-me conta disso. Pretendia dizer o quanto me surpreendi em saber que a autora havia morado próxima a Saigon e que sua mãe era professora primária, tal como a personagem de seu livro O Amante. Já era de meu conhecimento que Marguerite Duras seria uma autora que não simplesmente inventa uma obra com a impessoalidade, ler Marguerite Duras é ler Marguerite Duras, acontecimentos de sua vida são traduzidas em palavras nos seus livros, é um dos poucos exemplos que conheço de alguém conseguir tranformar algo rigorosamente pessoal em público¹. Raramente um vida de interesse público, o homem moderno parece se preocupar mais com "o que fulano tem" que o "de onde ele vem", substituir simplesmente a 1ª pela 2ª não chega a resolver qualquer coisa e sim trato aqui de observar como a impessoalidade é intronizada em nossa pessoalidade, pensamos geralmente o outro como impessoal e por isso sem história senão aquela que costumamos ler e principalmente gostamos de ler.
Tem autores que escrevem aquilo que leitores querem ler, fazem sucesso por não arriscar fazer o leitor expandir sua capacidade de criar significações da realidade, em detrimento atraí para uma representação cristalizada. Talvez a guerra entre humanos e robôs, que de Isaac Asimov foi amplamente adaptada por mais diversos autores, não venha a acontecer. A impressão é que os robôs já estão entre nós, importa muito seu custo X benefício e pouco importa a mão de obra que a produziu, desde que ela enquanto ferramenta dê a produtividade esperada. Dizem por aí que algumas pessoas tem defeito na fabricação, instalação de metilfenidato ou haloperidol ou fluoxetine periodica é recomendada com diversas indicações seu de uso estabelecerem funções normalizadas.
 Fica como reflexão a introdução do filme Trainspotting², dizendo: "Escolha viver. Escolha um emprego. Escolha uma carreira. Escolha uma família. Escolha uma televisão enorme. Escolha lavadoras de roupa, carros, CD players e abridores de latas elétricos. Escolha boa saúde, colesterol baixo e plano dentário. Escolha uma hipoteca a juros fixos. Escolha sua primeira casa. Escolha seus amigos. Escolha roupas esporte e malas combinando. Escolha um terno numa variedade de tecidos. Escolha fazer consertos em casa e pensar na vida domingo de manhã. Escolha sentar-se no sofá e ficar vendo game shows chatos na TV enfiando porcaria na sua boca. Escolha apodrecer no final, beber num lar que envergonha os filhos egoístas que pôs no mundo para substituí-lo. Escolha o seu futuro. Escolha viver.".

1 - Nas palavras de Marguerite Duras "Não existe nada mais público que aquilo que é rigorosamente pessoal."
2 - Vale a pena fazer consideração aqui que o filme é adaptação de um livro homônimo.

18 abril 2010

O monstro indescrítivel

Apaga da memória que eu te quis mulher
pois desejo é chama, mas também vira pó.
Homem não pode uma só mulher querer,
do contrário receberá não amor, mas dó.

Amar é felicidade, mas também contradição,
porque quem busca amor encontra tristeza,
e se você não busca é alguém sem coração...
Mas numa mulher se busca amor ou beleza?

Talvez nem um e nem outro,
possível que as duas coisas,
e mais certo que ninguém saiba.

Falar amor é falar de monstro,
não tem palavras precisas
alguns o imagina careca e outros com barba.

31 julho 2009

releitura

Esta semana voltei humildemente a ler sobre cinema, e para minha surpresa percebi que uma de minhas postagens neste blogger - Cinema e Espectadores - foi baseada em algo que li por volta de uns dois anos atrás, mais especificamente de A Significação no Cinema, de Christian Metz. Motivo que recomecei a ler este livro foi que achava não tê-lo oferecido a devida atenção anteriormente, tendo lido apenas uns poucos textos. Agora me pareceu que, por mais indiferente a minha primeira leitura tenha se dado, foi uma importante leitura que realizada.

14 junho 2009

Mental

Este mês estreou um novo seriado na Fox, seu nome: Mental


Em sua publicidade existem diferentes atrativos, basta fazer uma busca pela internet para descobrir notícias de que é um seriado rodado na Colômbia, ou que nele há uma personagem lésbica. Em sua sinopse: “Psiquiatra usa habilidade de penetrar na mente de seus pacientes para ver como eles pensam e cria métodos de tratamento muito pouco ortodoxos”.


O seriado pretende ser inovador havendo uma clara descentralização do tratamento na farmacologia para “outra coisa”, e nessa “outra coisa” é que o seriado ganha uma dimensão pobre daquilo que ousa retratar que é a utilização de métodos pouco convencionais de tratamento. É incrível que em uma hora de episódio seja possível ater-se a detalhes que possíveis fazer conhecer a forma de intervir no sofrimento mental dos seus pacientes e realizá-las, ao fazer isso coloca a loucura em uma lógica na qual qualquer um tem condições de compreender se tiver interesse e boa vontade de ajudar, de fazer o bem. Que o tratamento psiquiátrico deve conter alternativas outras que não apenas a farmacológica é afirmativamente uma aposta válida, e muito, no entanto não é apostando a veracidade de nossos próprios valores, tais como família, trabalho, amor, companheirismo, verdade, entre outros que se encontra o lugar da loucura em habitar fora de um hospital psiquiátrico. Se chamamos algo de louco é porque este encontra-se em um campo diferente aos valores sociais que compartilhamos, ou melhor, que achamos compartilhar. O amor de uma erotomaníaca é um exemplo de valor (amor) que para um ouvinte desavisado parece expressar o sentimento verdadeiro que daquilo que chamamos por amor, mas se para um ouvinte desavisado “parece” é porque antes de conhecer a história este ouvinte quer julgar se verdade ou não, enquanto na loucura procede como no slogan do filme Estamira, e que fala da própria: Tudo Que É Imaginário Tem, Existe, É.

Assistindo aos três episódios, que até então foram ao ar, fica uma sensação da medicina ser a única responsável por tratar esquizofrenia, como sendo irrelevante um tratamento interdisciplinar, e mais que isso, parece que tratar da loucura é tratar apenas do louco, isso equivale dizer que nada do social é de comprometimento com a loucura.

É considerável dar uma chance ao seriado mostrar-se menos ingênuo, até agora pouca coisa nele apareceu que condiz com a realidade dos tratamentos psiquiátricos que não manicomiais, o seriado faz parecer que o sistema de tratamento em saúde mental nos EUA está extremamente atrasado, pelo menos essa é a consideração que alguém com experiência em saúde mental tem ao assistindo a série


23 abril 2008

Mutações

Nasci num pequeno hospital de Tóquio. Mamãe diz que se lembra de duas coisas:
Um ratinho correndo pelo chão, o que ela considerou sinal de boa sorte.
Uma enfermeira curvando-se e murmurando, em tom de quem pede desculpas: "Infelizmente, é uma menina. A senhora prefere informar pessoalmente a seu marido?"
Liv Ullmann - Mutações

30 março 2008

Gostos

Todas as vezes que um homem sai do cinema, não sabe exatamente o que sentiu, e pensa o que fez ele gostar ou não gostar do filme... suas impressões são assim, sempre a julgar conforme seus gostos pessoais aquilo passa por seus olhos, que toca aos seus ouvidos, que sente em sua pele... mas diabos aquilo tinha com ele? Ele nunca se pergunta isso e talvez porque a resposta seria "-Nada!".
Quase sempre solitária é a impressão que temos? Possível que sim! Mas traduzimos elas para que se pareça uma sensata opinião... mas também deve ser difícil dizer as coisas conforme aconteceram, não traduzí-las aos nossos gostos pessoais que são também nossas experiências e espectativas.
Lembro da tentativa de amar, que quando eu tento me frustro. Tão dura é essa tristeza que parece distante o que quero daquilo que posso, principalmente quando assumimos em dizer palavras como "-Mas eu consigo!". Irônico é que tantas coisas dêem certo quando nos voltamos a outro querer, que nos surpreendemos em pesado ser aquilo que antes com tanta certeza diziamos "-Mas eu consigo!", logo quando já nos esquecemos que tais palavras nos foi proferido.

Vivemos em um mundo mágico, variadas distrações estão a nossa volta, reduzimos elas a algumas que achamos boas, e muitas vezes sem nem mesmo saber o que outros elementos ao nosso redor nos daria se com nossa permissão chegassem e tocassem-nos.

Vivemos a eternidade que não existe, escondemos a verdade que a vida não é para sempre para longe de nossos olhos e ouvidos. Amanhã pode sempre ser um bom dia para uma atitude que me dará felicidade, hoje nos voltamos a planejar para que tudo aconteça da forma idealizada. Preciso estar com alguém para ser feliz, dividir responsabilidades de mim mesmo que nunca assumi inteiramente. Preciso ser feliz, aquela felicidade que todas pessoas almejam mas sempre reclamam que ainda não alcançaram... mas que diabos estou dizendo! É tudo tão fantasioso, tudo tão fácil de dizer, tudo tão pouco meu... talvez possamos viver sim algumas destas coisas, mas não como se elas não exigissem de nós um pouco de atitude com a vida que mais surpreendente.

Pessoas sorriem com facilidade, algumas vezes penso que deve ser difícil um mundo onde aquela tristeza por todos desconhecida não pode aparecer, tanto por nao ser compreensível e por também não ser direito sentimento de tristeza onde parece todos sentir felicidade. Dá a pensar quanto somos pouco intímos das pessoas, só dividimos o que sabemos será reconhecido felicidade... vivemos quase inteiramente sozinhos.

16 fevereiro 2008

Temas do cotidiano II

Em outra parte da cidade, aquela que não produz poetas mas jogadores de futebol, são quase 21hs. Nesta parte da cidade de gente comum, em suas vidas cotidiana em que cumprem tarefas como trabalho, estudos e família (família é uma tarefa que exige trabalho), não há muito espaço a novidades como existe na cidade a beira-mar onde tudo é só cintilância - sejam pessoas e suas jóias e sorrisos ou a boa manutenção do Estado em fazer componentes de cada parte desta cidade a beira-mar brilhar como se sempre fosse lua cheia.

E saindo do metrô que ainda lotado, na linha 2, ao andar 10min para finalmente chegar em sua casa após uma longa jornada de trabalho ele vê e sente o calor de um incêndio em um pequeno comércio próximo a sua casa, tipo de coisa que nem todos os dias se vê porque era como se pudesse observar um pequeno sol enjaulado que lutando para sair em plena noite de Irajá.
Ainda que longa a jornada de seu dia, as dores que seriam justas a um trabalhador exausto desaparecem, é tão curiosa a cena que voltar para o lar não parece necessário.

Se um trabalhador pode se dar ao direito de assistir, como se mais nada importante tivesse em pleno final de noite de uma quarta-feira, então, não seria surpreendente que outros curiosos - que de vã tentativa seria buscar definir suas atividades diárias - não se aglomerassem para também assistir. Assistem o incêndio, alguns do início ao fim! Quando os bombeiros terminam definitivamente seu serviço já são mais de 2hs de quinta-feira e tudo que resta era cinza, variando pouco de cinza para cinza...
Ninguém se dá conta que dono daquele comércio perdeu o que tinha, que naquele momento tudo perdera daquilo que batalhou por anos para conseguir, bem este que perdeu durante os momentos de entreternimento da multidão que curiosamente consegue rir com piadas do churrasco sendo realizado.

Ironicamente a desgraça de uns é o entreternimento de outros, nada mais cotidiano...

12 fevereiro 2008

Temas do cotidiano I

Era noite de lua cheia, a cidade estava parcialmente cintilante com a luz do luar e a outra parte escura como sempre é... a beleza da lua que encanta os poetas é melancólica quando se fecha os livros para andar na cidade. Mas que bobagem minha... ninguém abre livro, consulta-se internet para apreciar palavras que sejam agradáveis...

"- Quero saber do luar, escolho palavras que desejo sentir a respeito do luar que o Google possa me fornecer.
Resultados 1 - 100 de aproximadamente 1.150.000 para luar lindo amor alegria feliz (0,65 segundos)

Pessoas falam de sofrimento, de pobreza, de tristeza... sei que não sou pobre, mas sei o que é sofrer, as vezes tenho até depressão sabe? Mas uma coisa que aprendi é que tristeza nenhuma no mundo permanece quando se tem pessoas que te apoiam e te fazem sentir especial! Nossa... quando entro no Orkut na comunidade 'Fico na NET até de Madrugada' e converso por algumas horas com o pessoal é como se todo o peso da vida sumisse, sendo eu leve como uma pluma."

Nas ruas crianças com armas na mão te pedem cigarro, mendigos convulsionam com espuma a sair entre lábios, evangélicos a levar a bíblia a quem tem fome, jovens alcoólatras dormindo em banco de praça, negros sendo revistados como bandidos por policiais negros, fétido humano na sarjeta banhado em próprio mijo a dormir ao meio-fio, execução de espancamento do crime de não ser heterossexual no gênero masculino... coisas que a luz do luar não fazem beleza, apesar de alguns considerarem bonito os evangélicos darem bíblia a quem tem fome.

Continua...

17 junho 2007

Mulheres modernas

E afinal, de que importa se ele chegar a me amar? – Perguntava ela a si mesma, como quem procura se convencer de alguma coisa – Pois afinal, nós mulheres de hoje somos conquistadoras, mulheres de atitude que venceu o comodismo que tinham as nossas avós. É essa a nossa resposta aos homens galinhas, pois não mais somos dóceis objetos de coleção dos homens ou amuleto, temos a liberdade de escolher, temos a capacidade seduzir sem necessariamente ter paixão.
Nossos corpos, nossas vozes, nosso olhar, são mais perigosos aos homens que eles podem imaginar, pois cada item de nossa sedução exibe um quê de inocência e caridade, e porque não dizer de esperança? Podemos mentir ao mais feio dos homens, e por mais óbvia que seja a mentira ele preferirá acreditar em nossas palavras que no espelho que se vê todos os dias. A suavidade de nossa pele, seu leve calor e seu fresco aroma encontram-se na natureza apenas em nosso corpo e é em contato com este que seus corpos ardem em tentação, mas também em nosso direito de dizer não em nos tocar que eles se fazem o mais frágil, o mais pobre dos seres.
Temos poder! Podemos até ganhar menos que eles para o mesmo trabalho, mas sabemos que se for de nosso querer nem precisamos dividir as contas. Não precisamos experimentar o toque de um único homem na esperança de sê-lo aquele nosso ideal, afinal todos os homens querem apenas o sexo que podemos dá-los, seja pelo prazer do coito mas também o de falar aos amigos, e mal sabem eles como nós mulheres também conversamos este mesmo assunto e somos honestas em dizer se foi bom ou ruim e contamos isso em detalhes. Mas se há uma coisa onde reside nosso poder sobre os homens, este está em deixá-los completamente perdidos, sem conseguir imaginar o porquê de nossas atitudes e palavras, de fazer com que eles possam até quando certos estar errados, de os obrigar em fazer coisas que nunca pensariam em fazer se não fosse a necessidade de conseguir nossa atenção.

28 abril 2007

Quero um amor para as estações frias

No esforço da guerra,
tiro para todos os lados,
simpatia e falas forçadas,
meu Deus, e, até agora, nada.

Uma eu já comi,
outra eu já peguei;
outras sempre quis
e o que sobrou eu já chutei.


Mas pooorra!... Agora, agooora,
no frio cadente do outono,
ninguém pra me dar bola?

Aaaahhh... Pra dar bola tem de sobra,

mas no fim da história, quem sobra sou eu.
Ado, ado, ado, vai tomá no cu.

Por Daniel, em homenagem a Paola