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31 agosto 2014

Tinder e Reflexões


A internet é sem dúvidas um meio de muito potencial. Não apenas positivo, devemos pensar o que dela nos é negativo. As redes sociais existem com ou sem internet, mas cada dia estamos mais crentes que rede social é apenas o virtual, tanto que não é incomum a pressa em transformarmos pessoas que no dia a dia conhecemos em mais um amigo virtual.
O assunto é amplo, mas gostaria de me restringir um pouco mais a um aplicativo de celular. Quero refletir um pouco sobre o Tinder. 

Confesso ter uma conta no Tinder e não vejo problema nisso, pela forma como uso e me exponho. Sim, Tinder é uma exposição. Mas, pensando bem, também nos expomos quando em qualquer lugar onde existam outras pessoas presentes , e o que faz diferença é a propaganda que fazemos de nós mesmos. Acho muito difícil pensar esta maneira de se expor. Como se expor em uma rede social que visa favorecer pessoas se encontrarem sem que por meio de estratégia de manipulação de sua própria imagem?
Não quero dizer apenas de algo físico quando digo de manipulação de imagem, digo de algo mais amplo. É impressionante a quantidade de descrições onde a formação acadêmica é usada, time de futebol e naturalidade são também alguns dos atributos usados em descrições, sem contar signos e que citações onde Clarice Lispector e Tati Bernadi são campeãs em receber autoria pelo texto. Nem fazia ideia de quem era Tati Bernardi e confesso que, ao escrever esta postagem, fui buscar algo dela e me deparei com este texto em seu blog, chamado Tinderelas (clique no título para ler no blog), e que muito diz daquilo que penso do Tinder. 


Penso que podemos mesmo ter a atitude de meramente tratar as pessoas expostas no Tinder como mercadorias. Mas será que já fora do Tinder não fazemos isso a um certo tempo? As mulheres são a muito tempo tratadas como gostosas pelos homens, e isso não deve servir de desculpa para considerar como coisa natural. Na verdade, penso que tanto homens e mulheres se tratam como mercadorias, Rafael Primo ilustrou isso muito bem em seu curta-metragem Produto Descartável (clique no título para assistir). Temos nossas doses de machismo, com quais homens e mulheres ainda insistem a desenvolver suas relações afetivas, onde estamos impregnados de imagens daquilo que é atitude de um homem e de uma mulher (mulher deve fazer isso, homem deve ter aquilo). Nossos valores mais singulares são esmagados pelo que socialmente devemos valorizar e procurar obter em um homem e em uma mulher.
Sinceramente, não sei o que dizer a uma mulher a quem ocorreu match (quando as duas pessoas coincidem de dar like uma a outra), e isso é igual ao que me acontece quando falo com qualquer pessoa que não conheço. Acho bom quando uma pessoa não sabe o que dizer, merece desconfiança quem sabe exatamente o que dizer. Não faço entrevista de emprego, a pessoa diz aquilo que desejar dizer (coisas que gosta, o que pensa da vida, como é a experiência com o Tinder. Conversando desta forma é bastante comum me dizerem também de outras experiências que tiveram com outros matches, sendo muito recorrente me dizerem que a maioria dos caras escrevem pouco, muitos são tarados ou já vão de cara pedindo o whatsapp ou facebook.
Minha impressão é que as pessoas no Tinder buscam o impossível e esquecem que pessoas tem também suas próprias vontades, seus próprios desejos. Não existe pessoa que corresponda a todos os atributos que valorizamos, tio Freud nos ensinou isso a muito tempo.

O problema o Tinder não é o aplicativo, mas como seus usuários o utilizam. Minha principal impressão é que as pessoas não sabem conversar e na primeira diferença que não corresponde ao que elas idealizam, já se faz motivo para desfazer o match. O maior perigo desta atitude é a perda de vínculo verdadeiramente humano, porque o outro falha e nós também. Desculpamos nossas próprias falhas, mas o outro não queremos nem ao menos dá-lo meio de dizer como explica sua falha.

Ainda somos românticos... a diferença é que, neste discurso amoroso do contemporâneo, temos cada vez mais recursos que responsabilizamos por estarmos só.

13 abril 2013

A arte de ficar em cima do muro

Já fazia bastante tempo que não escrevia neste blog. Depois de todo o tempo desde a postagem que possível visualizar, fiz uma postagem na qual criticava ideias presentes em um perfil do Facebook, quanto ao #Orgulho Hétero. Resolvi apagar a postagem, depois de um debate decepcionante quanto a atual polêmica envolvendo o programa Pânico na TV, com Gerald Thomas e Nicole Bahls.
Desde que comecei estudar psicologia, em meu encontro com textos como "Cheguei até a encontrar travestis felizes" de Félix Guatarri, vi que pensar gênero não era algo tão simples. Resolvi apagar a postagem e qualquer outra coisa que tenha escrito antes quanto o assunto, pois fui confrontado com a acusação de ser mal informado. Pensei, anteriormente, que concordava com aquilo que o movimento feminista reivindica, achava que era uma questão de luta por igualdade, fui informado que não se trata disso exatamente.
Vou ignorar todo o meu percurso, pois talvez por ser homem e heterossexual eu seja incapaz de compreender e me pronunciar ao assunto. Deixarei as reflexões deste assunto com feministas e movimentos de defesa aos direitos GLBT. Vou continuar estudando o assunto, escondido, mas não ousarei dizer qualquer coisa que pense sobre violência de gênero.

25 setembro 2012

O fim de um luto


Sentiu um estranho perfume. Era calmo e confortante, ao mesmo tempo em que angustiante diante da incerteza do por que o sentia. Seus olhos foram capazes de decifrar aquilo que seu coração perdera o tato. Abateu-se, por um momento, ao perceber que aquele era o perfume de heliotrópio e cidra. Apercebeu-se sentido ali o perfume de um amor a se vivenciar perdendo antes mesmo de começá-lo, tal como escreveu Marguerite Duras¹.

A doença da morte² – Suspeitava a um tempo que a tivesse.

Já havia amado um dia, um amor que se tornou um luto até aquele momento. A mulher diante de seus olhos, exalando aquele odor fustigante, o arrebatou de sua inércia.

A morte é ainda é uma possibilidade a ele, como é a todos: devemos a natureza uma morte³. Aquele perfume dispersou a morte nele entranhada, não o sentiu novamente naquela mulher, mas certamente foi através dela que o despertou para a vida e o interesse de amar.  

Notas: 
1 - Escritora nascida na Indochina, hoje Vietnã. residindo na França escreveu diversas obras de teatro, livros, filmes.
2- A doença da morte: aquele que a tem não sabe que é portador dela, da morte. E também no fato de que ele morreria sem vida progressa dentro da qual morrer, sem conhecimento nenhum de morrer em vida nenhuma. - In: O homem sentado no corredor; A doença da morte: Marguerite Duras. Editora Cosacnaify. p.58
3-  Referência a Shakespeare, que diz "deves uma morte à natureza" (In: O Nomeável e o Inominável - Maud Mannoni), em expressão semelhante Freud diz: "... cada um de nós deve a natureza uma morte e tem de estar preparado para saudar esta dívida..." (Sigmund Freud - Obras Completas, Vol 12 - Cia das Letras)

17 maio 2012

Moralismo X Saúde


A política de redução de danos é uma direção de tratamento que qualquer profissional de saúde deve conhecer, ainda que por motivos pessoais não concorde. Há outras diversas políticas de tratamento diretrizes que profissionais de saúde não consideram adequados, na saúde mental se tem hoje a ênfase pela atenção psicossocial a direção de trabalho com pessoas que sofrem de transtornos mentais, isso não exclui existir defensores da direção manicomial existirem, mas é certo que a opinião pessoal não poder ser exclusiva e transgressora às políticas públicas.

Em uma matéria sensacionalista, que claramente desconhece ou preferiu ignorar toda a discussão em torno do tratamento em saúde pública aos casos de álcool e outras drogas, o jornalista Francisco Edson Alves, do jornal O Dia, foi bastante infeliz em seu dever ético como jornalista ao escrever a matéria  Saúde Defende a Maconha.

O código de ética profissional, conforme pode ser acessado pela FENAJ, atribui para a conduta do jornalista no Art. 4º "O compromisso fundamental do jornalista é com a verdade no relato dos fatos, 
deve pautar seu trabalho na precisa apuração dos acontecimentos e na sua correta divulgação."

Ao livro Toxicomanias: incidências clínicas e socioantropológicas o jornalista  escreve em tom de crítica: "Já na página 248, uma ‘dica’ inusitada e perigosa: “... 100 gramas de maconha podem ser considerados uma quantidade razoável para um usuário diário”. Sua postura diante trabalho dos autores é o que distorção daquilo que se debate no texto "O usuário de drogas", no subtítulo "Critérios para identificação do usuário". O que os autores estão debatendo não é a quantidade de drogas que um usuário é recomendado usar, os autores estão debatendo a identificação deste usuário ao invés de prontamente criminalizá-lo em igualidade ao traficante. Tentando preservar aquilo que os autores diziam, é  bem diferente alguém que tem em posse 100 gramas de maconha e alguém que tem 100 gramas de cocaína.

É merecedor de repúdio uma leitura tão leviana como a do jornalista, sua atitude irresponsável com a informação é de apropriar seus leitores a reforçar seus preconceitos ao invés de propiciá-los uma inserção ao debate em questão. A redução de danos é uma direção de trabalho em saúde, não é apenas algo apenas no Brasil discutida, outros países. Também é leviano reputar apenas o jornalista promover aos seus leitores uma opinião tão ignorante e distorcida dos fatos, o jornal O Dia é ainda mais merecedor de repúdio que o jornalista.

11 julho 2011

Felicidades

Felicidade não deveria ser obrigação! Felicidade não precisa ser demonstrada.

Devo dizer que acho triste tanta gente cometendo a infelicidade de demonstrar sua felicidade, de modo que mais importante que a própria felicidade está a possibilidade de dizer-se feliz, o uso de fotos demonstrando viver emoções maravilhosas e companhias fantásticas conduzem a ideia que a pessoa é de fato feliz... mas se você quer mesmo saber se uma pessoa é feliz convido a perguntá-la de seus sonhos e seus medos.

26 fevereiro 2011

Tiririca

A notícia de que Tiririca foi escolhido para integrar a Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados tem dado o que falar, muita gente indignada e que considera isso uma palhaçada. Sinceramente, não vejo o que há de preocupante nisso, é o fato dele são ser bem alfabetizado que o torna incapaz de atuar em benefício da educação e da cultura? Se é isso mesmo, então, não entendo também porque a educação tem piorado tanto nas mão de tantos outros personagens extremamente qualificados.
Em um pais que tem por realidade uma péssima qualidade de ensino público, que incapaz de providenciar igualdade de direito de educação, é exigir demais que seus representantes tenham todos um nível de educação exemplar, até o exemplar exigido é deturpado.
Participação da vida política não pode ser determinada com exclusão funcional, ela pode ser dificultada e fazemos isso muito bem. É uma falsidade dizer que o voto é nossa maneira mais efetiva de representação. Por exemplo, um heterossexual pode muito bem assumir compromissos para com os direitos do homossexual mas não o faz tão frequentemente, a representação de homossexuais por indíviduos homossexuais é uma necessária realidade aos direitos, achamos no entanto que pobres ou indivíduos com educação precária devem ser representados por outros que conheçam suas necessidades, ou seja: uma minoria pode se representar, mas uma maioria deve ser representada por uma minoria? Não... deve ter alguma coisa errada nesta lógica, não pensamos assim... pensamos?
Sou a favor de favelados, professores de rede pública, analfabetos, ambulantes de ônibus e mendigos, e tantos outros miseráveis não apenas votarem apenas um ano ou outro no mês de outubro. É muito pretencioso achar que individuos que nunca dependeram de políticas pública de educação terão interesse em tornar a educação eficaz, e isso não quer dizer que um interlocutor diferente solucione todos os problemas, inclusive pode também não fazer nada, mas ao menos faz evidente os preconceitos que parte da sociedade olha para notícias como essa. 
Acho justo analfabetos funcionais participarem ativamente das decisões do Estado.

21 fevereiro 2011

Eu sou apenas um rapaz latino americano

Considero fantástica toda obra de Belchior, é alguém pouco compreendido. Autor de "Como Nossos Pais", música que tal como a "Eu sou apenas um rapaz latino americano" tem sua crítica a Caetano Veloso e a turma da tropicalia. A música dele fala, não é preciso falar dela.

Eu sou apenas um rapaz latino americano

Eu sou apenas um rapaz latino americano sem dinheiro no banco
Sem parentes importantes e vindo do interior

Mas trago na cabeça uma canção do rádio
Em que um antigo compositor baiano me dizia
Tudo é divino, tudo é maravilhoso

Tenho ouvido muitos discos, conversando com pessoas
Caminhado o meu caminho, papo o som dentro da noite
E não tenho um amigo sequer que ainda acredite nisso não
Tudo muda, e com toda a razão

Eu sou apenas um rapaz latino americano sem dinheiro no banco
Sem parentes importantes e vindo do interior

Mas sei que tudo é proibido, aliás, eu queria dizer que tudo é permitido
Até beijar você no escuro do cinema quando ninguém nos vê

Não me peça que eu lhe faça uma canção como se deve
Correta, branca, suave, muito limpa, muito leve
Som, palavras são navalhas e eu não posso cantar como convém
Sem querer ferir ninguém

Mas não se preocupe, meu amigo com os horrores que eu lhe digo
Isso é somente uma canção
A vida realmente é diferente quer dizer, ao vivo é muito pior

Eu sou apenas um rapaz latino americano, sem dinheiro no banco
Por favor não saque a arma no saloon, eu sou apenas um cantor

Mas se depois de cantar você ainda quiser me atirar
Mate-me logo à tarde, às três que à noite eu tenho compromisso
E não posso faltar por causa de você

Eu sou apenas um rapaz latino americano sem dinheiro no banco
Sem parentes importantes e vindo do interior

Mas sei, sei que nada é divino
Nada, nada é maravilhoso
Nada, nada é secreto
Nada, nada é misterioso não

17 fevereiro 2011

Eu e outro

Não são apenas os outros que não nos entendem, talvez seja fácil e aliviante apontar não ser compreendido. Por vezes leio meus próprios textos antigos, me surpreendo que lembro tê-los escrito apresentando clareza que não consigo por vezes ler. Peguei uma postagem feita a mais de 3 anos e tentei reescrevê-la, achei cansativo e deixei incompleta por enquanto. Quero fazer com que o autor contribua ao meu texto atual, ao reinventar o seu texto quero também transportar um pouco de sua imaturidade, ganhar maturidade também tornou-me um pouco incapacidade de compreender coisas que eu dizia - minha realidade é outra, não é a mesma - não o compreendo mas lembro que ele se sentia diferente de como me sinto, é nisso que ele pode contribuir.

15 fevereiro 2011

TDAH

Ontem fui buscar meu primo de 9 anos na escola, mesma escola que estudei e que me é ao mesmo tempo tão estranha, meu primo portava um livro chamado "Mundo da lua" e achei legal ele ler porque "No mundo da lua" era um programa que pertenceu a minha infância. Perguntei se ele estava gostando, se divertindo com o personagem homônimo, suas aventuras em que até o avô participava, e me respondeu que não chegado a nada assim, peguei o livro e constatei que seria impossível, pois não era o que eu pensava, tratava-se de um livro sobre TDAH.
Personagem como Lucas, em Mundo da Lua da TV Cultura, e Menino Maluquinho, do Ziraldo, são praticamente combatidos pelo que se entende por TDAH, uma verdadeira contradição contemporânea. O especialista no livro em questão, em entrevista a Marília Gabriela, afirmou que desde o século 18 existem relatos indicando a existência do transtorno, mas não diz como que pessoas viviam com este transtorno, talvez porque a maior preocupação do especialista esteja em torno de legitimar os tratamentos contemporâneos. A intervenção mediocamentosa é a principal forma de tratamento, medicando uma forma de existir, adequando comportamentos. Estranha contradição de nossa sociedade pregar o respeito pelas diferenças e, ao mesmo tempo, dar sentido para algumas diferenças como doença. Aceitar o status de doença é uma forma intessante de livrar-se do peso de existir, pela doença não se tem responsabilidade e apenas é possível sofrer seu mal, o diagnóstico indica a possibilidade de viver sem culpa uma incapacidade.
A Ritalina, que usada para amenizar o TDAH, recebe como apelido "a droga da obediência" e chega a ser irônico, "A Droga da Obediência" é o nome de um livro escrito por Pedro Bandeira, que era muito comum recomendada a leitura na própria escola. Demais irônico que hoje ao invés do livro a escola recomenda a própria droga, assim como pais que leram o livro aceitam médicos a prescrevendo, e crianças aprendem com o TDAH que tem exemplos na vida em que superação não existe.
Em suma, quando ouço alguém legitimando o TDAH e da Ritalina não consigo deixar de lembrar da música Another Brick in the Wall de Pink Floyd. Abaixo encontram-se o clipe desta música e uma matéria da Globo News sobre o assunto.



03 janeiro 2011

História de novela

Joana sonhava em encontrar um homem romântico e carinhoso, destes valorizam uma mulher e apenas apenas fazem delas troféus de suas conquistas sexuais.
Conheceu Ricardo, um rapaz tímido mas corajoso o suficiente para em público presentea-la com flores, nas gentilezas de Ricardo reconheceu que aquele era o homem que sempre sonhou. Foi com bastante felicidade de aceitou ficar noiva com um pouco mais de um ano de namoro.
Quando Joana conheceu Sérgio, no dia que ambos começavam um curso de fotografia, não era possível imaginar que aquela mulher tão satisfeita com seu noivo se lançaria aos braços de outro. Sérgio não era como Ricardo, não tinha como atributo ser atencioso, era mais um tipo meio blasé, trocava de mulheres como quem troca de roupa. Joana por uma semana estava sempre perto de Sérgio e sempre encontrava um meio de tocá-lo, até mesmo enconstar a cabeça no ombro indiferente dele. Quando Sérgio tentou beijá-la ela evitou perguntando se ele sabia que ela era comprometida, Sérgio respondeu que sabia disso e tentou novamente sem desta vez ela hesitar.
Por alguns meses Joana era de dois homens, mas tudo acabou entre ela e Sérgio no dia que ele confidenciou que estava gostando dela. Joana afirmou que eles tinham algo muito carnal e que aquilo nunca poderia vir a ser amor, que ficou preocupada que naquelas semanas anteriores estavam parecendo um casal quando deveriam ser apenas amantes. Sérgio ia embora quando ela disse que o queria pelo menos uma última vez, achou aquilo mesquinho, e ela ainda o tentou explicar que Ricardo a amava e que fazia parte de sua vida, com Ricardo ela disse que tinha carinho, afeto e companheirismo.
Sérgio voltou a trocar constantemente de mulheres, isso o permitiu esquecer Joana. As palavras de Joana permitiram também desiludir-se que finalmente se apaixonaria. Sérgio nunca foi de dizer amar ninguém, mas tinha a opinião que amor não era como nas novelas (onde o amor vem primeiro e depois a intimidade), para ele o ato de amar estava seguinte a intimidade social e do corpo dos amantes.
As palavras de Joana demonstraram para Sérgio uma mulher que ele não tinha intimidade e logo não poderia por ele ser amada. Joana disse que Ricardo a amava e estava certa na flexão do verbo, não sabia quando disse isso havia também Ricardo conhecido outra mulher e alguns meses depois terminaria o noivado.
Joana perguntou para Ricardo do porquê dele fazer aquilo, ela fatalmente não gostou da resposta. Ricardo afirmou que por mais que gostasse da companhia dela e tivesse tanto carinho e afeto era pouco, faltava paixão, sentia que estavam presos a uma vida fria e que possivelmente só ficaram juntos porque ele tinha medo da solidão.
Joana, já solteira, procurou Sérgio. Disse que estava bastante arrependida da decisão que tomou e que esperava eles pudessem uma nova chance dar um ao outro. Sérgio disse para ela continuar a vida, e não era possível ele querer mais nada com ela, que esta chance já havia passado quando era uma decisão e não apenas uma falta de escolha.

Joana treme de raiva quando houve Roberto Carlos ou a Gal Costa cantar Sua Estupidez.

30 dezembro 2010

Nem tão contra ao bullying...

Falar de bullying é a moda deste momento, uma coisa que sempre existiu e continuará acontecendo mas que agora nomeada por um nome técnico, em sua descrição¹ "Bullying é um termo em inglês utilizado para descrever atos de violência física ou psicológica, intencionais e repetidos, praticados por um indivíduo (bully - «tiranete» ou «valentão») ou grupo de indivíduos com o objetivo de intimidar ou agredir outro indivíduo (ou grupo de indivíduos) incapaz(es) de se defender. Também existem as vítimas/agressoras, ou autores/alvos, que em determinados momentos cometem agressões, porém também são vítimas de bullying pela turma."
Um grande problema com esse modismo é a sua imprecisão, pois por violência psicológica é fácil demais enquadrar toda e qualquer tipo de crítica que outrem atribui a um indivíduo. É no mínimo paradoxal, pois a chance de existir alguém que não tenha como origem violência psicológica é nula, a vida psíquica humana nasce de violência psicológica, viver como ser humano é lidar com o desprazer de nunca estar completo ou tendo alcançado uma finalidade. Por "estar completo" e "alcançado uma finalidade" quero dizer que não somos livres, sempre necessitamos como seres sociais de lidar com insatisfações próprias e de outros, coisas pequenas como ouvir um "não" é uma forma de violência que retira do ego a possibilidade de se limitar a ele próprio, de ter de dar conta de ter outro objeto.
Fazer com que agressões sejam desde cedo desencorajadas tem sua coerência, já foi tempo que agredir alguém era fazer justiça com as próprias mão e, mais ainda, vivemos em uma época que não é o castigo sobre o corpo que legitima poder, poder é legitimado com dinheiro, beleza e sucesso. Quando uma criança chama a gorda de Free Willy, ou mesmo quando chama de um simples "orelha de abano", é uma espécie de "bem-vindo ao mundo real", porque geralmente não é mamãe que diz "Você está gorda como uma baleia.", tal como o mundo olha para uma pessoa obesa, até a Organização Mundial de Saúde considera obesidade um problema, no entanto parece que existe uma esperança que pessoas decidam deixar de ser obesas por vontade própria ao invés de buscar emagrecer para poder dizer "Pude deixar de ser gorda, difícil agora é você deixar de ser um(a) idiota!"
Devo concordar com parte dos argumentos de Marco Antonio Araujo em Sou a favor do bullying. Criar crianças que aprendam a chorar ao invés de se impor frente as opiniões negativas dos outros é cruel, é querer fazer um bem que frequentemente leva a um mal ainda pior.
No dia que para pessoas adultas não julgarem outras pessoas adultas por: Ser negro demais/ negro de menos/branco demais/ branco de menos, muito religioso/nada religioso, gordo demais/magro demais, ser muito pobre/ ser muito rico, ser muito gay/ ser muito hetero, beber demais/ não beber, ser sincero demais/ ser pouco sincero/ ser mentiroso demais, etc, daí repensarei meus conceitos.
A minha opinião a respeito do bullying é que as escolas são cada vez menos destinadas a promover conhecimento, a tarefa de professores policiar seus alunos é vergolhosa - seja pelo fato do professor ser pessimamente remunerado ou por retirar dos pais o dever de educar adequadamente seus filhos (se a escola não encontra problemas com ele está tudo certo!).

1- Extraído do Wikipédia

17 dezembro 2010

Figuração de uma vida

Saia todos os dias, pegava sempre o mesmo ônibus no mesmo horário, fazia sempre as mesmas coisas, via sempre as mesmas pessoas, sorria sempre do mesmo jeito, andava sempre com mesmos passos, falava sempre com mesmo tom.

Chegava à casa sempre no mesmo horário, fazia sempre a mesma comida, ouvia sempre as mesmas músicas, lia sempre o mesmo autor, dormia sempre no mesmo horário.
Sentia sempre a mesma dor, ia sempre no mesmo médico, recebia sempre a mesma receita, fazia sempre os mesmos exames, recebia sempre os mesmos resultados.

Um dia tudo mudou. Demorou as pessoas perceberem, e para a maioria foi necessário alguém dizer, a mudança: Wagner havia morrido: suicídio. E foi por isso que por meses não pagou as contas, que faltou ao trabalho, que não foi ao médico. Deixou várias cartas de despedida, e todas elas com datas diferentes. Todas reclamando a vida não ser uma coisa boa. Todas dizendo que o mundo deveria ser diferente. Nenhuma das cartas fazia indicação se um dia ele tentou fazer-se diferente ao mundo.

- Pobre Wagner! Demorou meses para mudar... mas mesma a sua nova condição, a de morto, ninguém a notou por vir a procurá-lo, nada mudou com sua morte.

Wagner teria sido o perfeito exemplo, se alguém lembrasse de sua vida, do quanto viver é mais que apenas ensaiar, representar um único papel, em cenas do cotidiano: Viveu como um ator figurante, sem improvisos e sempre representando um personagem nada marcante, morreu da mesma forma.

13 dezembro 2010

Pergunte ao tempo*

O tempo passa no tempo certo? Ou só como percebemos depois dele passar? Pergunte ao tempo a quanto tempo ele existe. Pergunte se neste tempo foi alguma vez o tempo certo errado, ou o errado certo. Pergunte se ele conhece alguma coisa do seu passado e espera alguma coisa do seu futuro.
Mas não apenas espere resposta, pois é certo que não se sabe o tempo que o tempo responde

Que escravo do tempo tenhamos passado não significa servir com escravidão a todo tempo, nem mesmo mesmo aquele que no devido tempo espera precisa ficar parado ao ver o tempo passsar. Talvez com o tempo haja tempo para o tempo não venha ser ignorado ou superestimado, como quem repete os mesmo erros com o passar do tempo, ou quem não percebe que os tempos não são outros e o tempo é ele próprio o tempo todo.
"Estas rosas sob a minha janela não fazem referência a rosas anteriores ou a rosas melhores; são pelo que são; existem hoje com Deus; é perfeita a cada momento de sua existência... mas o homem adia e recorda. Não é capaz de ser feliz e forte enquanto não viver com a natureza no presente, acima do tempo."¹
 *O texto corresponde a reescrita de uma antiga postagem, título "Questionamentos", neste mesmo blog, a primeira postagem realizada. A escrita original é bastante rudimentar, algo que não diria quando o escrevi. Tive por preferência não deletar, mas seria de bastante satisfação o apagar.
1-
Autor: Ralph Waldo Emerson

07 maio 2008

Beleza

Nada como um dia após outro... fazer de cada dia um novo dia, renovar talvez o dia anterior, fazer belo o que pretende beleza...
E digo “fazer belo” porque a vida não merece fazer-se moralmente em regras daquilo que é bom e daquilo que não é. Subo a rua de minha casa, lugar onde nem mais gosto, mas olho para ela e acima dela tem um céu... posso dizer que é o céu da minha rua, digo isso hoje talvez pelo mesmo porque de outro dia admirar no entardecer de um sábado, enquanto dentro de um ônibus, o horizonte em belo tom avermelhado.
Beleza quando já definida bela é vazia, é puro consumo. A beleza é artística, se inventa a cada momento e só é percebida por quem vai além das mediações de “deve ser assim ou assado”. A alma de uma jovem mulher por exemplo é cheia de intensidade que se negligenciada impede ela ser mais indica sua aparência, que não poucas vezes classificam “linda”, mas difícil é apreciar a beleza que transborda para além desta casca que só os olhos vêem, falta a sensibilidade para além dos olhos, sentir o doce inebriante de não ser amargo.Meus dias também transbordam de beleza, sinto uma alma junto a minha que mesmo longe se faz perto, me faz sorrir, que faz esperar. Se olho para essa beleza que transborda é porque dela também em todo lugar que olho está...