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31 agosto 2014

Tinder e Reflexões


A internet é sem dúvidas um meio de muito potencial. Não apenas positivo, devemos pensar o que dela nos é negativo. As redes sociais existem com ou sem internet, mas cada dia estamos mais crentes que rede social é apenas o virtual, tanto que não é incomum a pressa em transformarmos pessoas que no dia a dia conhecemos em mais um amigo virtual.
O assunto é amplo, mas gostaria de me restringir um pouco mais a um aplicativo de celular. Quero refletir um pouco sobre o Tinder. 

Confesso ter uma conta no Tinder e não vejo problema nisso, pela forma como uso e me exponho. Sim, Tinder é uma exposição. Mas, pensando bem, também nos expomos quando em qualquer lugar onde existam outras pessoas presentes , e o que faz diferença é a propaganda que fazemos de nós mesmos. Acho muito difícil pensar esta maneira de se expor. Como se expor em uma rede social que visa favorecer pessoas se encontrarem sem que por meio de estratégia de manipulação de sua própria imagem?
Não quero dizer apenas de algo físico quando digo de manipulação de imagem, digo de algo mais amplo. É impressionante a quantidade de descrições onde a formação acadêmica é usada, time de futebol e naturalidade são também alguns dos atributos usados em descrições, sem contar signos e que citações onde Clarice Lispector e Tati Bernadi são campeãs em receber autoria pelo texto. Nem fazia ideia de quem era Tati Bernardi e confesso que, ao escrever esta postagem, fui buscar algo dela e me deparei com este texto em seu blog, chamado Tinderelas (clique no título para ler no blog), e que muito diz daquilo que penso do Tinder. 


Penso que podemos mesmo ter a atitude de meramente tratar as pessoas expostas no Tinder como mercadorias. Mas será que já fora do Tinder não fazemos isso a um certo tempo? As mulheres são a muito tempo tratadas como gostosas pelos homens, e isso não deve servir de desculpa para considerar como coisa natural. Na verdade, penso que tanto homens e mulheres se tratam como mercadorias, Rafael Primo ilustrou isso muito bem em seu curta-metragem Produto Descartável (clique no título para assistir). Temos nossas doses de machismo, com quais homens e mulheres ainda insistem a desenvolver suas relações afetivas, onde estamos impregnados de imagens daquilo que é atitude de um homem e de uma mulher (mulher deve fazer isso, homem deve ter aquilo). Nossos valores mais singulares são esmagados pelo que socialmente devemos valorizar e procurar obter em um homem e em uma mulher.
Sinceramente, não sei o que dizer a uma mulher a quem ocorreu match (quando as duas pessoas coincidem de dar like uma a outra), e isso é igual ao que me acontece quando falo com qualquer pessoa que não conheço. Acho bom quando uma pessoa não sabe o que dizer, merece desconfiança quem sabe exatamente o que dizer. Não faço entrevista de emprego, a pessoa diz aquilo que desejar dizer (coisas que gosta, o que pensa da vida, como é a experiência com o Tinder. Conversando desta forma é bastante comum me dizerem também de outras experiências que tiveram com outros matches, sendo muito recorrente me dizerem que a maioria dos caras escrevem pouco, muitos são tarados ou já vão de cara pedindo o whatsapp ou facebook.
Minha impressão é que as pessoas no Tinder buscam o impossível e esquecem que pessoas tem também suas próprias vontades, seus próprios desejos. Não existe pessoa que corresponda a todos os atributos que valorizamos, tio Freud nos ensinou isso a muito tempo.

O problema o Tinder não é o aplicativo, mas como seus usuários o utilizam. Minha principal impressão é que as pessoas não sabem conversar e na primeira diferença que não corresponde ao que elas idealizam, já se faz motivo para desfazer o match. O maior perigo desta atitude é a perda de vínculo verdadeiramente humano, porque o outro falha e nós também. Desculpamos nossas próprias falhas, mas o outro não queremos nem ao menos dá-lo meio de dizer como explica sua falha.

Ainda somos românticos... a diferença é que, neste discurso amoroso do contemporâneo, temos cada vez mais recursos que responsabilizamos por estarmos só.

25 setembro 2012

O fim de um luto


Sentiu um estranho perfume. Era calmo e confortante, ao mesmo tempo em que angustiante diante da incerteza do por que o sentia. Seus olhos foram capazes de decifrar aquilo que seu coração perdera o tato. Abateu-se, por um momento, ao perceber que aquele era o perfume de heliotrópio e cidra. Apercebeu-se sentido ali o perfume de um amor a se vivenciar perdendo antes mesmo de começá-lo, tal como escreveu Marguerite Duras¹.

A doença da morte² – Suspeitava a um tempo que a tivesse.

Já havia amado um dia, um amor que se tornou um luto até aquele momento. A mulher diante de seus olhos, exalando aquele odor fustigante, o arrebatou de sua inércia.

A morte é ainda é uma possibilidade a ele, como é a todos: devemos a natureza uma morte³. Aquele perfume dispersou a morte nele entranhada, não o sentiu novamente naquela mulher, mas certamente foi através dela que o despertou para a vida e o interesse de amar.  

Notas: 
1 - Escritora nascida na Indochina, hoje Vietnã. residindo na França escreveu diversas obras de teatro, livros, filmes.
2- A doença da morte: aquele que a tem não sabe que é portador dela, da morte. E também no fato de que ele morreria sem vida progressa dentro da qual morrer, sem conhecimento nenhum de morrer em vida nenhuma. - In: O homem sentado no corredor; A doença da morte: Marguerite Duras. Editora Cosacnaify. p.58
3-  Referência a Shakespeare, que diz "deves uma morte à natureza" (In: O Nomeável e o Inominável - Maud Mannoni), em expressão semelhante Freud diz: "... cada um de nós deve a natureza uma morte e tem de estar preparado para saudar esta dívida..." (Sigmund Freud - Obras Completas, Vol 12 - Cia das Letras)

10 agosto 2012

Encontros e Desencontros

Houve uma festa com a temática 7 pecados (Luxúria, Gula, Inveja, Ganância, Ira, Preguiça, Orgulho). Havia comida, bebida, pessoas interessantes... como se espera de uma boa festa. A casa de estilo rústico, espaçosa, favorecia o convite de todos sentirem-se a vontade. As músicas tocavam, bem diversificadas, sons para ninguém sair da festa sem arriscar-se em dançar ao menos um pouco e, aos mais empolgados, a possibilidade exibir performances não estava proibida.

Muitos são os que ele conhece na festa, alguns eram recém chegados dos quais lembrava alguns nomes. Como brincadeira, pela mera ocasião do tema, ele pergunta de vez em quando a uma ou outra pessoa qual pecado representava. Um amigo seu, um quase a todo tempo de festa sentado ao sofá,  respondeu que era a preguiça. Quase todos respondiam, mesmo quando tinham ainda dúvidas do qual melhor representava, quase todos... exceto uma mulher com quem conversou bem espontaneamente, e ainda sem qualquer interesse em seduzir. Quando ele a perguntou seu pecado ali na festa, ela respondeu "- Não sei! Acho que nenhum!"

Era difícil não notar uma mulher como aquela, de cabelos pretos e longos, cerca de 1,75m de altura, magra, com curvas que muitas mulheres desejariam ter em si naquelas proporções tão simétrícas àquele vestido. Ela não o atraiu logo de inicio, mesmo ele tendo nela reconhecido essa beleza bastante desejável por outros homens,  ou mesmo mulheres. Os dois conversavam e a única coisa que ele realmente nela admirou inicialmente foi a inteligência. Não era o tipo de mulher a inquietá-lo, pois, curiosamente, preferia mulheres mais baixas e tão semelhantes umas as outras, tanto de rosto como corpo, que eram fáceis confundi-las  dez como uma mesma mulher (é notável como homens são repetitivos). 

Como num momento de clareza e, sem  ele não soube o que havia a ele acontecido e nem como, tornou-se impaciente em ter a oportunidade de segurar aquele corpo e admirar aquele sorriso junto aos seus lábios. Talvez ela dizê-lo que iria embora da festa tenha causado a lucidez. Olhou para ela com reprovação, deixando explícito não querer naquele momento despedida. Aproximou-se ainda mais dela e, sem praticamente notar sua mão repousando suavemente a cintura dela, pediu a ela ficar um pouco mais. Ela tentou justificar que precisava ir embora, e foi preciso apenas ele pedir  um vez que ela não fosse para que ela aceitasse ficar. Dançavam agora juntos e, em meio a música, ele a olha e aproxima seu rosto ao dela ainda mais, como quem vai roubar um beijo, mas, ao invés disso ele pergunta "- Você já sabe qual o pecado você é?". Para a sua surpresa ela responde, após um calmo e silencioso respirar, com as palavras"- Dada a situação, eu diria gula.".

Não havia outra coisa que pudessem escolher naquele contexto, nenhuma ação seria lógica, só podiam entregar-se ao acontecia. Não saciar aquela fome, todo aquele apetite um pelo outro, que ali se tornou necessário confessar (e talvez por isso não era luxúria ou vaidade), não era coisa a ser feita nem racional ou irracionalmente. Mas contrariando toda a evolução da trama, seus elementos, de toda expectativas, concluiu a história semelhante ao final de um filme francês.

21 abril 2011

não é uma escolha...

Não há escolha, pensou Cristiano. Diante daquela sensualidade, provocativa, de fazer seus olhos brilhar de espectativas, não haviam escolhas.
Não precisou nem sair de seu confortável lugar ao bar, ou mesmo de largar seu copo de whisky. Cansada das cantadas sem graça de outros ela o abordou, percebendo nele uma naturalidade e confiança em si mesmo, tipo de cara que não é tempo perdido ao menos cumprimentar.
Cristiano não exigiu dela nem amor, nem sexo ou nem amizade, e talvez por isso consegue oferecer e receber com as mulheres tais laços. Cristiano não escolhe quando tais coisas devem se dar, pois fazem parte da vida, nela está, acontecem principalmente quando não se tenta controlar.

26 fevereiro 2011

Elogio do Amor

"Amor choque, amor loucura, amor incomensurável, amor ardência... Tentar falar dele parece-me diversamente mas não menos terrivelmente e deliciosamente embriagador que vivê-lo. Ridículo? Louco, talvez. O risco de um discurso de amor, de um discurso amoroso, provém sem dúvida principalmente da incerteza de seu objeto. Na verdade, do que se está falando?(...)"
Julia Kristeva.

17 fevereiro 2011

Eu e outro

Não são apenas os outros que não nos entendem, talvez seja fácil e aliviante apontar não ser compreendido. Por vezes leio meus próprios textos antigos, me surpreendo que lembro tê-los escrito apresentando clareza que não consigo por vezes ler. Peguei uma postagem feita a mais de 3 anos e tentei reescrevê-la, achei cansativo e deixei incompleta por enquanto. Quero fazer com que o autor contribua ao meu texto atual, ao reinventar o seu texto quero também transportar um pouco de sua imaturidade, ganhar maturidade também tornou-me um pouco incapacidade de compreender coisas que eu dizia - minha realidade é outra, não é a mesma - não o compreendo mas lembro que ele se sentia diferente de como me sinto, é nisso que ele pode contribuir.

13 fevereiro 2011

Amor

Qual sua orientação de amor? Eros? Philia? Ahava? Ágape? outra exterior a da cultura judaico-cristã ocidental? Fala-se de amor o tempo todo, até mesmo fala-se de amor cortês do ponto de vista do amor romântico. Sustentar este sentimento chamado amor é no entanto o desafio, um desafio que se deixa cair pelo discurso. Afirmar o amor não é vivenciar a história de outros e sim vivenciar sua própria história: sem receita e sem forma.

03 janeiro 2011

História de novela

Joana sonhava em encontrar um homem romântico e carinhoso, destes valorizam uma mulher e apenas apenas fazem delas troféus de suas conquistas sexuais.
Conheceu Ricardo, um rapaz tímido mas corajoso o suficiente para em público presentea-la com flores, nas gentilezas de Ricardo reconheceu que aquele era o homem que sempre sonhou. Foi com bastante felicidade de aceitou ficar noiva com um pouco mais de um ano de namoro.
Quando Joana conheceu Sérgio, no dia que ambos começavam um curso de fotografia, não era possível imaginar que aquela mulher tão satisfeita com seu noivo se lançaria aos braços de outro. Sérgio não era como Ricardo, não tinha como atributo ser atencioso, era mais um tipo meio blasé, trocava de mulheres como quem troca de roupa. Joana por uma semana estava sempre perto de Sérgio e sempre encontrava um meio de tocá-lo, até mesmo enconstar a cabeça no ombro indiferente dele. Quando Sérgio tentou beijá-la ela evitou perguntando se ele sabia que ela era comprometida, Sérgio respondeu que sabia disso e tentou novamente sem desta vez ela hesitar.
Por alguns meses Joana era de dois homens, mas tudo acabou entre ela e Sérgio no dia que ele confidenciou que estava gostando dela. Joana afirmou que eles tinham algo muito carnal e que aquilo nunca poderia vir a ser amor, que ficou preocupada que naquelas semanas anteriores estavam parecendo um casal quando deveriam ser apenas amantes. Sérgio ia embora quando ela disse que o queria pelo menos uma última vez, achou aquilo mesquinho, e ela ainda o tentou explicar que Ricardo a amava e que fazia parte de sua vida, com Ricardo ela disse que tinha carinho, afeto e companheirismo.
Sérgio voltou a trocar constantemente de mulheres, isso o permitiu esquecer Joana. As palavras de Joana permitiram também desiludir-se que finalmente se apaixonaria. Sérgio nunca foi de dizer amar ninguém, mas tinha a opinião que amor não era como nas novelas (onde o amor vem primeiro e depois a intimidade), para ele o ato de amar estava seguinte a intimidade social e do corpo dos amantes.
As palavras de Joana demonstraram para Sérgio uma mulher que ele não tinha intimidade e logo não poderia por ele ser amada. Joana disse que Ricardo a amava e estava certa na flexão do verbo, não sabia quando disse isso havia também Ricardo conhecido outra mulher e alguns meses depois terminaria o noivado.
Joana perguntou para Ricardo do porquê dele fazer aquilo, ela fatalmente não gostou da resposta. Ricardo afirmou que por mais que gostasse da companhia dela e tivesse tanto carinho e afeto era pouco, faltava paixão, sentia que estavam presos a uma vida fria e que possivelmente só ficaram juntos porque ele tinha medo da solidão.
Joana, já solteira, procurou Sérgio. Disse que estava bastante arrependida da decisão que tomou e que esperava eles pudessem uma nova chance dar um ao outro. Sérgio disse para ela continuar a vida, e não era possível ele querer mais nada com ela, que esta chance já havia passado quando era uma decisão e não apenas uma falta de escolha.

Joana treme de raiva quando houve Roberto Carlos ou a Gal Costa cantar Sua Estupidez.

02 janeiro 2011

Lembrança de um vício

Festas tem destas coisas de dificilmente o horário de seu início ser o horário em que realmente começa, neste caso a festa era uma festa ao som de rock que o amigo marcou para comemorar o aniversário, o início era 22hs e já as 22:30 ele foi o primeiro a chegar. Sentou-se em um sofá e observou chegando algumas das poucas pessoas que meia hora se puseram a entrar, o seu amigo aniversariante não havia até então chegado mas pode se fascinar neste pouco tempo por uma bela mulher que entrou no estabelecimento.
Antes mesmo de meia-noite a casa estava lotada, seu amigo chegou e a mulher em meio a tanta gente era ainda fácil de seus olhos encontrar mesmo quando não procurando. O sentimento de alegria por comemorar o aniversário do amigo era grande, era daquele tipo de amigo que é sempre uma alegria encontrar, mas a presença aquela mulher embaçava a vivência desta alegria. Percebeu que não apenas ele notou aquela mulher, passou com isso a propositalmente seus olhos encontrá-la, como quem tinha uma responsabilidade, notou que ela dispensou todos que flertaram com ela e que em algum momento poderia ser ele a ser dispensado.
Eram por volta de 01:30 quando pediu sua primeira cerveja depois de meses sem beber, voltou para a pista agora não muito próximo do grupo do aniversariante e amigos e nem a mulher, enquanto dançava percebeu também que estava na mira de outras mulheres que não o interessou, manteve o desinteresse nestas outras e meia hora após esta ele mais próximo daquela mulher.
Já mais próximo dela sentiu a necessidade de tomar uma outra cerveja, quando voltou aquela mulher o ofereceu um cigarro, ele que também por muito tempo não tinha mais o hábito de fumar não estranhou aceitar aquele cigarro, e nem o incomodou o gosto. Também não entranhou seus lábios alcançarem o dela.
Nunca mais viu aquela mulher, depois das horas que passaram juntos, mas os cigarros ele vê e sente quase todos os dias.

30 dezembro 2010

Nem tão contra ao bullying...

Falar de bullying é a moda deste momento, uma coisa que sempre existiu e continuará acontecendo mas que agora nomeada por um nome técnico, em sua descrição¹ "Bullying é um termo em inglês utilizado para descrever atos de violência física ou psicológica, intencionais e repetidos, praticados por um indivíduo (bully - «tiranete» ou «valentão») ou grupo de indivíduos com o objetivo de intimidar ou agredir outro indivíduo (ou grupo de indivíduos) incapaz(es) de se defender. Também existem as vítimas/agressoras, ou autores/alvos, que em determinados momentos cometem agressões, porém também são vítimas de bullying pela turma."
Um grande problema com esse modismo é a sua imprecisão, pois por violência psicológica é fácil demais enquadrar toda e qualquer tipo de crítica que outrem atribui a um indivíduo. É no mínimo paradoxal, pois a chance de existir alguém que não tenha como origem violência psicológica é nula, a vida psíquica humana nasce de violência psicológica, viver como ser humano é lidar com o desprazer de nunca estar completo ou tendo alcançado uma finalidade. Por "estar completo" e "alcançado uma finalidade" quero dizer que não somos livres, sempre necessitamos como seres sociais de lidar com insatisfações próprias e de outros, coisas pequenas como ouvir um "não" é uma forma de violência que retira do ego a possibilidade de se limitar a ele próprio, de ter de dar conta de ter outro objeto.
Fazer com que agressões sejam desde cedo desencorajadas tem sua coerência, já foi tempo que agredir alguém era fazer justiça com as próprias mão e, mais ainda, vivemos em uma época que não é o castigo sobre o corpo que legitima poder, poder é legitimado com dinheiro, beleza e sucesso. Quando uma criança chama a gorda de Free Willy, ou mesmo quando chama de um simples "orelha de abano", é uma espécie de "bem-vindo ao mundo real", porque geralmente não é mamãe que diz "Você está gorda como uma baleia.", tal como o mundo olha para uma pessoa obesa, até a Organização Mundial de Saúde considera obesidade um problema, no entanto parece que existe uma esperança que pessoas decidam deixar de ser obesas por vontade própria ao invés de buscar emagrecer para poder dizer "Pude deixar de ser gorda, difícil agora é você deixar de ser um(a) idiota!"
Devo concordar com parte dos argumentos de Marco Antonio Araujo em Sou a favor do bullying. Criar crianças que aprendam a chorar ao invés de se impor frente as opiniões negativas dos outros é cruel, é querer fazer um bem que frequentemente leva a um mal ainda pior.
No dia que para pessoas adultas não julgarem outras pessoas adultas por: Ser negro demais/ negro de menos/branco demais/ branco de menos, muito religioso/nada religioso, gordo demais/magro demais, ser muito pobre/ ser muito rico, ser muito gay/ ser muito hetero, beber demais/ não beber, ser sincero demais/ ser pouco sincero/ ser mentiroso demais, etc, daí repensarei meus conceitos.
A minha opinião a respeito do bullying é que as escolas são cada vez menos destinadas a promover conhecimento, a tarefa de professores policiar seus alunos é vergolhosa - seja pelo fato do professor ser pessimamente remunerado ou por retirar dos pais o dever de educar adequadamente seus filhos (se a escola não encontra problemas com ele está tudo certo!).

1- Extraído do Wikipédia

23 novembro 2010

Marcas de uma ferida

A frase de Lemiski 'Um homem com uma dor é muito mais elegante' se tornou um dia fato para Carlos, não da mesma dor que Itamar Assumpção sentia fisícamente e sim aquela que apenas rasga com os comprometimentos amorosos... sim... Carlos uma dia sentiu-se mortificado pelo sentimento amoroso e, como se não bastando amor ter sua parte de dor em si próprio, ainda viu-se completamente rejeitado.
Para um homem não é coisa qualquer dizer que um dia se viu a mercê de amar alguém, Carlos se perguntado dirá que nunca encontrou alguém a quem deu este sentimento, e não mente ele despropositalmente. De certa forma, ele aprendeu que um homem quando ama se torna afeminado, indigno de ser desejado como homem, quando confesso em anseio por amar alguém. Na juventude dele há uma certa ironia, logo ele que tão terno, dedicado, destes que poderia-se chamar um gentleman, um tipo que as mulheres dizem não existir, talvez não existindo por se tornar invisível a elas - pensa Carlos que hoje ri de como era tolo, mas ri com um sentimento de tristeza por se tornar tão diferente.
"Nada mais cafageste que um homem com o coração ferido e depois cicatrizado" - é assim que crê, e com essa crença ao invés de um tipo certinho se tornou um tipo meio canalha, daqueles que coleciona naturalidade e nacionalidades das diversas mulheres que já possuiu, tipo que a fama de não ser fisgável não compromete aos seus prazeres. Ele sabe que deve o que se tornou a pelo menos uma mulher, lembra dela raramente mas não porque considera que tem por ela amor e sim porque foi a últma vez que tentou amar... para ele é tentar amar um sinônimo de perder sua possibilidade.
Que ele tenha ficado ficado com uma cicatriz, do tipo que guarda dor lembrando da ferida que foi inflingida, é para ele um presente (no duplo aspecto da palavra), considera que fez dele mais respeitável e seguro. Vez ou outra Carlos, em seus pequenos momentos a sós, sente um incomôdo de pensar que talvez houvesse um outro caminho, e nesse pensamento ele se dá conta que ainda acredita ter alguma beleza em amar alguém... nestes momentos ele diz a si mesmo "- Não vale a pena acreditar nisso!".
O que se pode dizer é que todo charme e carisma de Carlos é uma mistura da dor de um amor rejeitado e do medo da solidão, ele forjou com estes itens sua imponente armadura mas não a de um cavalheiro. Ninguém pode dizer que Carlos não é feliz por viver sempre evitando chegar ao ponto de amar (e quanto a ser amado, é estranhamente frequente as declarações que recebe de amor!), ele tem a certeza que não é infeliz assim e isso é o bastante. Ele encontrou um modo de não ser infeliz, enquanto pessoas buscam sem norte a felicidade.

10 setembro 2010

Sem tristeza

Por vezes Djalma lembra da sua juventude, tempo de coisas simples e sem preocupações que um adulto lida, não precisava ser inteiramente responsável nem por si e nem fazia ideia que, talvez, pelos outros com quem vivia. Djalma brincava em uma rua que ainda nem asfaltada, cada época do ano tinha uma brincadeira da temporada: Pipa, bola de gude e peão, subia nas árvores para pegar frutas frescas: goiaba, amora e manga, fazia por vezes pequenas tarefas para ter dinheiro, e isso o enchia de felicidade. Hoje, asfaltada a rua, não se brinca mais de bola de gude ou peão, apenas pipa. As árvores foram a maioria cortadas, sobrando a opção das frutas sem gosto que vendidas nos mercados. Trabalhar passou a ser uma obrigação.
Em sua infãncia era cada dia uma aventura, em alguns dias era tamanha que caia na cama exausto, mas cada dia era uma diferente oportunidade, um novo conhecer, o futuro se apresentava esperançoso pelo sentimento que aquilo não poderia ser apagado, que em seu futuro trabalharia com algo que gostava, com pessoas que causasse admiração e respeito. Hoje mal consegue sentir a felicidade, e estranhamente não possue tristeza, parece viver uma frieza distante de alguém que foi um dia amável, mesmo ingênuo. Aquele garoto que tantas vezes se apaixonou bobamente, aquele tipo de paixão infantil que pode inclusive ocorrer na adolescência, nem consegue acreditar que mais de uma vez pensou estar apaixonado, acha que traiu toda sua vida por não conseguir mais ser como era, e mesmo assim prefere ser como é hoje.
Djalma lembra das coisas, coisas que sentiu, que disse, que fez, que simplesmente pensou, lembra que o mundo que via não era igual ao que agora vê, tal como sua imagem no espelho mudou. Vivia em um mundo que privilegiava sua felicidade, mesmo que algumas vezes algo de triste ocorrendo, e agora vê-se tomado pela indignação, sente que foi enganado por toda uma vida. Não sente que o metrô que todos dias pega é um sinal divino de sua felicidade, nem que seu salário miserável sirva para um futuro digno e sim a um presente desgraçado. Teve Djalma não escolheu entre trabalhar e estudar, trabalhar sempre foi uma obrigação e o fato de querer estudar medicina o colocava sempre em confronto com uma necessidade de dedicar-se apenas aos estudos. Ao seu pai, que chegou em São Paulo com 17 anos, considerava que um homem de 20 anos já havia passado do tempo de ser sustentado pelos pais, que Djalma tivesse o desejo de estudar era irrelevante para alguém mal havia concluído o ensino primário. Djalma, agora com 26, sente que toda felicidade que sonhava um dia alcançar é uma distante lembrança, destas bobas que apenas uma criança pode ter, foi o que concluiu depois de passar em 10º lugar em medicina para uma Universidade Federal apenas para descobrir não para ele possível deixar de trabalhar e mesmo trabalhando não tinha condições de sustentar os estudos, mesmo a faculdade gratuita ficava cara a despesa do dia a dia, sem dinheiro para livros não tinha disposição de tempo para estudar na biblioteca, monitorias e pesquisas que podiam benificia-lo com uma bolsa eram perdidas para outros estudantes que tinham a bolsa como um vale-birita. Pensa que nem tudo está perdido, apenas seu sonho, que pode sim fazer uma faculdade, mas não a de medicina, pode talvez tornar menos miserável o seu emprego cursando, a nunca antes pensada, faculdade de contabilidade.
Djalma não planeja mais o futuro, até acredita que pode-se criar oportunidades ao futuro, mas que está pouco em seu poder desenhá-lo, sente que tudo que hoje é não passa de um desenho que aconteceu de derramado sob ele café, todo seu passado ficou desbotado... por vezes alguém o cumprimenta chamando-o de doutor, ele cumprimenta de volta com um sorriso de quem consegue rir da própria incapacidade de poder sentir tristeza, o mesmo sorriso que o tornou mais atraente pelo ar de mistério, em dois anos envelheceu aparentemente um 6 ou 7, talvez por causa da bebida e/ou cigarro que ajudam-o como elo de vida, talvez porque a energia de seus ardentes sonhos de juventude o conferiam ar de moço e estavam agora perdido, não mais importa para Djalma. Djalma vive o que vive sem parecer sofrer aos seus mais intímos familiares e amigos, ele mesmo se pergunta porque não se sente sofrendo, sabendo que por muitas coisas poderia ser infeliz e mesmo assim não o é, não sabe nem mesmo responder a própria pergunta sobre si para si e, por isso mesmo, não sente no direito de decidir muita coisa sobre si mesmo.

25 abril 2010

Par Impar



Sinopse: Em meio a pés que vão e vem, cores e cordas de violino, o sapateiro de um pequeno vilarejo procura o par perfeito, em uma fábula de amor e sapatos.

De Esmir Filho. Com: Adriana Seiffert, Alvise Camozzi, Imara Reis, José Rubens Chachá, Sarah Oliveira

18 abril 2010

O monstro indescrítivel

Apaga da memória que eu te quis mulher
pois desejo é chama, mas também vira pó.
Homem não pode uma só mulher querer,
do contrário receberá não amor, mas dó.

Amar é felicidade, mas também contradição,
porque quem busca amor encontra tristeza,
e se você não busca é alguém sem coração...
Mas numa mulher se busca amor ou beleza?

Talvez nem um e nem outro,
possível que as duas coisas,
e mais certo que ninguém saiba.

Falar amor é falar de monstro,
não tem palavras precisas
alguns o imagina careca e outros com barba.

25 janeiro 2009

Amor

"Como termina um amor? - O quê? Termina? Em suma ninguém - exceto os outros - nunca sabe disso; uma espécie de inocência máscara o fim dessa coisa concebida, afirmada, vivida como se fosse eterna. O que quer que se torne objeto amado, quer ele desapareça à região da Amizade, de qualquer maneira, eu não o vejo nem mesmo dissipar: o amor que termina se afasta para um outro mundo como uma nave espacial que deixa de piscar: o ser amado ressoava como um clamor, de repente ei-lo sem brilho (o outro nunca desaparece quando e como se esperava). Esse fenômeno resulta de uma indisposição do discurso amoroso: eu mesmo (sujeito enamorado) não posso construir até o fim minha história de amor: sou o poeta (o recitante) apenas do começo; o final dessa história, assim como minha própria morte, pertence aos outros; eles que escrevam o romance, narrativa exterior, mítica."

Extraído de : Fragmentos de um discurso amoroso - Roland Barthes

05 janeiro 2008

Espera

Um mandarim estava apaixonado por uma cortesã. "Serei sua, disse ela, quando tiver passado cem noites a me esperar sentado num banquinho no meu jardim, embaixo da minha janela."
Mas, na nonagésima nona noite, o mandarim se levantou, pôs o banquinho embaixo do braço e se foi.
Extraído de "Fragmentos de um discurso amoroso"
Roland Barthes

08 outubro 2007

Todas as mulheres do mundo

Sinopse: Esta envolvente comédia de costumes dirigida por Domingos Oliveira, mesmo realizador de Amores, relata a trajetória de Paulo (Paulo José), bon vivant que vive paquerando as belas mulheres da zona sul carioca. Mas este sedutor profissional acaba encontrando o amor ao cruzar com Maria Alice, jovem professora vivida por Leila Diniz. A narrativa é feita a partir de uma conversa entre Paulo e seu amigo Edu (Flávio Migliaccio). Por meio de flash-backs, Paulo conta sobre seu relacionamento com Maria Alice, desde que a conheceu numa festa de Natal, em seu apartamento. Ao ver a moça pela primeira vez, Paulo imediatamente se apaixona e faz de tudo para conquistá-la, apesar de ela estar acompanhada do noivo. Também enfrenta o conflito de desistir de todas as mulheres do mundo para viver com uma só. Mas não se arrepende: Maria Alice é uma mulher sensual, inteligente, alegre, sincera, carinhosa e ótima amante. O roteiro aborda os conflitos existentes, na década de 60, entre os velhos e novos papéis sociais femininos e masculinos. Grande sucesso de crítica e público, o filme é baseado no relacionamento de Domingos Oliveira e Leila Diniz, que por seu desempenho ganhou o Prêmio Air France de 1967.




Trata-se de um filme de 1967 e isso me faz sentir um pouco mais velho? Não... arte não é feita nunca exatamente para sua própria geração... mas nem é pela arte que me causa admiração esnte filme e sim porque diz respeito a uma coisa extremamente simples e ao mesmo tempo complicada de entender principalmente pelas mulheres, mas não somente por elas porque nós não sabemos também o porquê acontece de em algum momento desejarmos tanto uma mulher a ponto de nos abdicar de ter todas as mulheres para ter apenas uma e a essa voltar todo desejo que antes era para todas.

Mas não é qualquer uma que se compara a uma Leila Diniz...