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08 setembro 2010

A história de uma vida

A vida é uma história...

A afirmação pode parecer ingênua, ou mesmo redundante, no instante imediato que recebe a afirmação, mas não é se levando em conta que nem tudo permanece registrado ou lembrado.
Que temos todos nossa própria história, isto é cada vez mais falso. Alguns anos li Castañeda e achei muito interessante a atitude de apagar a história pessoal, hoje considero como banalidade apagar a história pessoal, pois os laços de uma pessoa com suas experiências é irrelevante ao homem social, consigo até imaginar o exemplo de alguém que nascido e criado em um lixão o quase completo desconhecimento com quais seus próximos odeia-o ou ama-o. A vida não é um simples resultado de elementos, mas os elementos permitem compor resultados, e se tratando de vida os resultados são sempre imprevisíveis porque, ao contrário que se possa dizer, o passado sempre volta.
Terminei de ler mais um livro de Marguerite Duras Olhos Azus, Cabelos Pretos, ao escrever esta linha percebo que já dizia do livro desde o início de minha postagem, apenas não havia dado-me conta disso. Pretendia dizer o quanto me surpreendi em saber que a autora havia morado próxima a Saigon e que sua mãe era professora primária, tal como a personagem de seu livro O Amante. Já era de meu conhecimento que Marguerite Duras seria uma autora que não simplesmente inventa uma obra com a impessoalidade, ler Marguerite Duras é ler Marguerite Duras, acontecimentos de sua vida são traduzidas em palavras nos seus livros, é um dos poucos exemplos que conheço de alguém conseguir tranformar algo rigorosamente pessoal em público¹. Raramente um vida de interesse público, o homem moderno parece se preocupar mais com "o que fulano tem" que o "de onde ele vem", substituir simplesmente a 1ª pela 2ª não chega a resolver qualquer coisa e sim trato aqui de observar como a impessoalidade é intronizada em nossa pessoalidade, pensamos geralmente o outro como impessoal e por isso sem história senão aquela que costumamos ler e principalmente gostamos de ler.
Tem autores que escrevem aquilo que leitores querem ler, fazem sucesso por não arriscar fazer o leitor expandir sua capacidade de criar significações da realidade, em detrimento atraí para uma representação cristalizada. Talvez a guerra entre humanos e robôs, que de Isaac Asimov foi amplamente adaptada por mais diversos autores, não venha a acontecer. A impressão é que os robôs já estão entre nós, importa muito seu custo X benefício e pouco importa a mão de obra que a produziu, desde que ela enquanto ferramenta dê a produtividade esperada. Dizem por aí que algumas pessoas tem defeito na fabricação, instalação de metilfenidato ou haloperidol ou fluoxetine periodica é recomendada com diversas indicações seu de uso estabelecerem funções normalizadas.
 Fica como reflexão a introdução do filme Trainspotting², dizendo: "Escolha viver. Escolha um emprego. Escolha uma carreira. Escolha uma família. Escolha uma televisão enorme. Escolha lavadoras de roupa, carros, CD players e abridores de latas elétricos. Escolha boa saúde, colesterol baixo e plano dentário. Escolha uma hipoteca a juros fixos. Escolha sua primeira casa. Escolha seus amigos. Escolha roupas esporte e malas combinando. Escolha um terno numa variedade de tecidos. Escolha fazer consertos em casa e pensar na vida domingo de manhã. Escolha sentar-se no sofá e ficar vendo game shows chatos na TV enfiando porcaria na sua boca. Escolha apodrecer no final, beber num lar que envergonha os filhos egoístas que pôs no mundo para substituí-lo. Escolha o seu futuro. Escolha viver.".

1 - Nas palavras de Marguerite Duras "Não existe nada mais público que aquilo que é rigorosamente pessoal."
2 - Vale a pena fazer consideração aqui que o filme é adaptação de um livro homônimo.

14 junho 2010

Sonhos...

Sonhos são perigosos, sonhar é quase sempre buscar alguma coisa que deixará alguém muito próximo de você descontente, e é claro que os sonhos que me refiro aqui são o que se pode chamar de ambição. Desde a escolhas profissionais, amorosas, ficanceiras, políticas, físicas, etc. É sempre frustrante fazer escolhas e passar pela solidão de parecer que ninguém mais é favorável a esta escolha, tal como é angustiante viver se apenas atuando pelas escolhas dos outros: por causa da família estudar medicina ou invés de tocar baixo; de estar namorando uma menina magrela pela aceitação social, mesmo gostando de mulheres que tenha mais corpo; de ter que sorrir como se algumas vezes não sentindo tristeza; e tantas outras coisas...
Viver é um pouco isso, o tempo todo alguém nos dizendo o que seria bom, e não apenas bom para ela mas também para você. Chega um momento que é de decisão, não é que você pare de dar atenção ao que os outros dizem, é muito mais um decisão de fazer algo com aquele sonho que não para de gritar esperando que ao menos tente fazê-lo realidade, e talvez aí esteja o maior problema... que um sonho antigo nunca é antigo se você nunca o buscou, e no caso de tornar o seu sonho realidade tem o preço da solidão, afinal todos aqueles que o desestimulava em tentá-lo estarão calados.
Não dá para permanecer sempre em segurança, no previsível, a vida envolve riscos e ter um objetivo envolve o risco de falhar, ter a compreensão que uma falha não é o fim faz muita diferença. Aprendemos muito com erros, mas muito pouco com erros em coisas que não queríamos ter a experiência, e talvez por isso que erramos tanto com algumas coisas... talvez por estarmos tentando o que não desejava de fato.

Escrevendo sobre isso pensava também sobre um filme escrito e dirigido pelo Ethan Hawke, que baseado em um livro dele, o filme foi traduzido aqui no Brasil como "Um Amor Jovem" (Originalmente: The Hottest State), uma das personagens dado momento diz: "Você não acha estranho que, quando somos crianças, todos falam para irmos atrás de nossos sonhos, mas, quando crescemos, ficam ofendidos só por tentarmos?", a pergunta em si é interessante para causar uma sensação incômoda de realidade (já que não é exatamente ela que buscamos no cinema), mas nada comparado a assistir a todo o filme experienciar nos personagens o que parecia que as palavras poderiam dizer.

31 julho 2009

releitura

Esta semana voltei humildemente a ler sobre cinema, e para minha surpresa percebi que uma de minhas postagens neste blogger - Cinema e Espectadores - foi baseada em algo que li por volta de uns dois anos atrás, mais especificamente de A Significação no Cinema, de Christian Metz. Motivo que recomecei a ler este livro foi que achava não tê-lo oferecido a devida atenção anteriormente, tendo lido apenas uns poucos textos. Agora me pareceu que, por mais indiferente a minha primeira leitura tenha se dado, foi uma importante leitura que realizada.

30 julho 2009

Paris

"O drama, que recebeu três nomeações ao César 2009, conta a história de pessoas 'que aparentemente não tem nada de especial, mas para cada um deles, sua vida é única', nas palavras do próprio diretor Klapisch. A trama narra a história de Pierre (Romain Duris), um dançarino profissional, que descobre sofrer de uma séria doença cardíaca. A partir daí, Pierre passa a olhar a vida e a todas as pessoas de maneira nova, incluindo sua irmã Elise (Juliette Binoche) e o marido que, por um incidente do acaso, passam a morar em sua casa. A possibilidade da morte dá um novo significado à sua vida, à vida das pessoas à sua volta e à toda vida em Paris."

Li esta sinopse quando busquei saber a respeito da '2ª Edição do Panorama do Cinema Francês no Brasil', que ocorreu de 16 a 25 de junho, e de imediato tive a curiosidade pelo filme. O porque minha curiosidade? - O fato ser sobre 'pessoas que aparentemente não tem nada de especial', mas diria também que por haver um personagem que a morte fez olhar para a vida. Pela sinopse apostei que seria o tipo de filme em que o espectador não é um inteiro voyeur, que seria um tipo de filme nos faz testemunha de algo tão verossímil a ponto de fazer-nos sair do cinema como alguém que dará continuidade a ele. E essa aposta estava certa? - 'Considero que sim!' - A cidade de Paris é a personagem principal do filme, e é uma deliciosa surpresa ver que um de seus personagens coadjuvantes é também espectador, a Paris que vemos é a que faz sentido a este espectador considerar a respeito da personagem principal e seus coadjuvantes, mas não é necessariamente a representação fiel do sentido que ele dá, pois ele mesmo espectador é um personagem e nós somos outros espectadores que não ele (mas já sem a neutralidade que acreditamos ter quando assistimos algo). É um filme que vale a pena assistir.


Direção:Cédric Klapisch
Roteiro:Cédric Klapisch
Elenco:Juliette Binoche, Romain Duris, Mélanie Laurent, Fabrice Luchini, François Cluzet

14 junho 2009

Mental

Este mês estreou um novo seriado na Fox, seu nome: Mental


Em sua publicidade existem diferentes atrativos, basta fazer uma busca pela internet para descobrir notícias de que é um seriado rodado na Colômbia, ou que nele há uma personagem lésbica. Em sua sinopse: “Psiquiatra usa habilidade de penetrar na mente de seus pacientes para ver como eles pensam e cria métodos de tratamento muito pouco ortodoxos”.


O seriado pretende ser inovador havendo uma clara descentralização do tratamento na farmacologia para “outra coisa”, e nessa “outra coisa” é que o seriado ganha uma dimensão pobre daquilo que ousa retratar que é a utilização de métodos pouco convencionais de tratamento. É incrível que em uma hora de episódio seja possível ater-se a detalhes que possíveis fazer conhecer a forma de intervir no sofrimento mental dos seus pacientes e realizá-las, ao fazer isso coloca a loucura em uma lógica na qual qualquer um tem condições de compreender se tiver interesse e boa vontade de ajudar, de fazer o bem. Que o tratamento psiquiátrico deve conter alternativas outras que não apenas a farmacológica é afirmativamente uma aposta válida, e muito, no entanto não é apostando a veracidade de nossos próprios valores, tais como família, trabalho, amor, companheirismo, verdade, entre outros que se encontra o lugar da loucura em habitar fora de um hospital psiquiátrico. Se chamamos algo de louco é porque este encontra-se em um campo diferente aos valores sociais que compartilhamos, ou melhor, que achamos compartilhar. O amor de uma erotomaníaca é um exemplo de valor (amor) que para um ouvinte desavisado parece expressar o sentimento verdadeiro que daquilo que chamamos por amor, mas se para um ouvinte desavisado “parece” é porque antes de conhecer a história este ouvinte quer julgar se verdade ou não, enquanto na loucura procede como no slogan do filme Estamira, e que fala da própria: Tudo Que É Imaginário Tem, Existe, É.

Assistindo aos três episódios, que até então foram ao ar, fica uma sensação da medicina ser a única responsável por tratar esquizofrenia, como sendo irrelevante um tratamento interdisciplinar, e mais que isso, parece que tratar da loucura é tratar apenas do louco, isso equivale dizer que nada do social é de comprometimento com a loucura.

É considerável dar uma chance ao seriado mostrar-se menos ingênuo, até agora pouca coisa nele apareceu que condiz com a realidade dos tratamentos psiquiátricos que não manicomiais, o seriado faz parecer que o sistema de tratamento em saúde mental nos EUA está extremamente atrasado, pelo menos essa é a consideração que alguém com experiência em saúde mental tem ao assistindo a série


30 março 2008

Gostos

Todas as vezes que um homem sai do cinema, não sabe exatamente o que sentiu, e pensa o que fez ele gostar ou não gostar do filme... suas impressões são assim, sempre a julgar conforme seus gostos pessoais aquilo passa por seus olhos, que toca aos seus ouvidos, que sente em sua pele... mas diabos aquilo tinha com ele? Ele nunca se pergunta isso e talvez porque a resposta seria "-Nada!".
Quase sempre solitária é a impressão que temos? Possível que sim! Mas traduzimos elas para que se pareça uma sensata opinião... mas também deve ser difícil dizer as coisas conforme aconteceram, não traduzí-las aos nossos gostos pessoais que são também nossas experiências e espectativas.
Lembro da tentativa de amar, que quando eu tento me frustro. Tão dura é essa tristeza que parece distante o que quero daquilo que posso, principalmente quando assumimos em dizer palavras como "-Mas eu consigo!". Irônico é que tantas coisas dêem certo quando nos voltamos a outro querer, que nos surpreendemos em pesado ser aquilo que antes com tanta certeza diziamos "-Mas eu consigo!", logo quando já nos esquecemos que tais palavras nos foi proferido.

Vivemos em um mundo mágico, variadas distrações estão a nossa volta, reduzimos elas a algumas que achamos boas, e muitas vezes sem nem mesmo saber o que outros elementos ao nosso redor nos daria se com nossa permissão chegassem e tocassem-nos.

Vivemos a eternidade que não existe, escondemos a verdade que a vida não é para sempre para longe de nossos olhos e ouvidos. Amanhã pode sempre ser um bom dia para uma atitude que me dará felicidade, hoje nos voltamos a planejar para que tudo aconteça da forma idealizada. Preciso estar com alguém para ser feliz, dividir responsabilidades de mim mesmo que nunca assumi inteiramente. Preciso ser feliz, aquela felicidade que todas pessoas almejam mas sempre reclamam que ainda não alcançaram... mas que diabos estou dizendo! É tudo tão fantasioso, tudo tão fácil de dizer, tudo tão pouco meu... talvez possamos viver sim algumas destas coisas, mas não como se elas não exigissem de nós um pouco de atitude com a vida que mais surpreendente.

Pessoas sorriem com facilidade, algumas vezes penso que deve ser difícil um mundo onde aquela tristeza por todos desconhecida não pode aparecer, tanto por nao ser compreensível e por também não ser direito sentimento de tristeza onde parece todos sentir felicidade. Dá a pensar quanto somos pouco intímos das pessoas, só dividimos o que sabemos será reconhecido felicidade... vivemos quase inteiramente sozinhos.

08 outubro 2007

Todas as mulheres do mundo

Sinopse: Esta envolvente comédia de costumes dirigida por Domingos Oliveira, mesmo realizador de Amores, relata a trajetória de Paulo (Paulo José), bon vivant que vive paquerando as belas mulheres da zona sul carioca. Mas este sedutor profissional acaba encontrando o amor ao cruzar com Maria Alice, jovem professora vivida por Leila Diniz. A narrativa é feita a partir de uma conversa entre Paulo e seu amigo Edu (Flávio Migliaccio). Por meio de flash-backs, Paulo conta sobre seu relacionamento com Maria Alice, desde que a conheceu numa festa de Natal, em seu apartamento. Ao ver a moça pela primeira vez, Paulo imediatamente se apaixona e faz de tudo para conquistá-la, apesar de ela estar acompanhada do noivo. Também enfrenta o conflito de desistir de todas as mulheres do mundo para viver com uma só. Mas não se arrepende: Maria Alice é uma mulher sensual, inteligente, alegre, sincera, carinhosa e ótima amante. O roteiro aborda os conflitos existentes, na década de 60, entre os velhos e novos papéis sociais femininos e masculinos. Grande sucesso de crítica e público, o filme é baseado no relacionamento de Domingos Oliveira e Leila Diniz, que por seu desempenho ganhou o Prêmio Air France de 1967.




Trata-se de um filme de 1967 e isso me faz sentir um pouco mais velho? Não... arte não é feita nunca exatamente para sua própria geração... mas nem é pela arte que me causa admiração esnte filme e sim porque diz respeito a uma coisa extremamente simples e ao mesmo tempo complicada de entender principalmente pelas mulheres, mas não somente por elas porque nós não sabemos também o porquê acontece de em algum momento desejarmos tanto uma mulher a ponto de nos abdicar de ter todas as mulheres para ter apenas uma e a essa voltar todo desejo que antes era para todas.

Mas não é qualquer uma que se compara a uma Leila Diniz...

14 agosto 2007

Toi et moi


Você e eu (França, 2006)

De Julie Lopez-Corval. Com Chantal Lauby, Eric Berger, Jonathan Zaccai, Julie Depardieu, Marion Cotillard. Comédia dramática, Romance em Cores. Duração 90’. Classificação etária livre.



Sinopse: Redatora de foto-novela para a revista "Você e eu", Ariane tende a escrever sua vida amorosa e a de sua irmã Lena, reinventando um pouco. No entanto, suas vidas não tem nada de novela: Ariane fica presa ao Farid que não se interessa por ela, e Lena está entediada com seu namorado, François.
Mas, se Ariane se entregasse ao amor de Pablo, o belo operário que trabalha no prédio? E se Lena se apaixonasse por Mark, o violinista prodígio que acaba de encontrar? Entre realidade e foto-novela, as duas irmãs encontrarão o grande amor?

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A primeira vista tem tudo para ser um filminho "água com açúcar", é um filme simples mas que também faz pensar nossas ingenuidades, nossas acomodações, e a força que uma simples decisão oferece-nos sortes inesperadas.
Até qual ponto vivenciamos não a vida mas a vontade de uma ficção, de uma novela? A vida não é técnica... "se você usa apenas técnica você faz pornografia..." - diz o personagem - "... mais que a técnica está a entrega...".
Entregar-se é talvez a maior dificuldade, dificuldade cotidiana seja nas desculpas que inventamos para não dar sinal de desejo, seja por achar que sabe o que quer, seja porque existe o medo...

29 abril 2007

Asas do Desejo

[Ele no balcão. Ela chega e ele ainda de costas a ela. Ele vira-se dá o copo em sua não qual ela toma de um gole e o devolve. Ele coloca o copo ao balcão e tenta aproximar o rosto ao dela. Ela coloca a mão ao seu peito distanciando-o...]

Daí ela diz:

- Deixe a coisa ficar mais séria.
Estive só um tempo mas nunca vivi sozinha. Quando estava com alguém se sentia feliz.
[silêncio]
Mas ao mesmo tempo tudo parecia ser coincidência. Essas pessoas eram meus pais mas poderiam ter sido outras. Porque este rapaz de olhos marrons é meu irmão e não aquele de olhos verdes no outro lado da plataforma? A filha do motorista de taxi era minha amiga. Mas poderia ter perfeitamente colocado meu braço em torno do pescoço de um cavalo.
Estive com um homem enamorada. Poderia tê-lo deixado de lado e partido com um estranho.
Olhe para mim ou não.
Me dê sua mão ou não.
Não me dê sua mão.
Olhe para lá.
Hoje é noite de lua nova, que noite de paz...
... sem derrame de sangue na cidade.
Nunca brinquei com alguém. Nunca abri meus olhos e disse: Agora é sério. Cresci. Era o único que não era sério? Os nossos tempos é que não são sérios.
Nunca estive só, nem sozinha, nem com outros. Gostaria de ficar só. Solidão significa: Finalmente sou um todo.
Agora posso afirmá-lo, pois finalmente estou só. Tenho que parar com as coincidências.
[suspiro]
A lua nova das decisões.
Não sei se existe destino, mas aqui está uma decisão!
Decida!
Nós agora somos o tempo.
Não só toda a cidade, mas o mundo todo está tomando parte da nossa decisão.
Nós somos mais que dois.
Encarnamos algo. Estamos no lugar dos outros e tudo está cheio de gente que está sonhando o mesmo sonho. Estamos decidindo o jogo dos outros!
Estou pronta!
Agora é sua vez.
Pegue o jogo em suas mãos.
Agora ou nunca!
Você precisa de mim!
Você vai precisar de mim!
Não existe história maior que a nossa...
... a de um homem e uma mulher.
Será uma uma história de gigantes. Invisível, transponível. A história de novos ancestrais.
Veja, meus olhos são o retrato da necessidade do futuro de cada um no lugar.
Ontem a noite sonhei com um estranho...
... com meu homem.
Só com ele posso ficar a sós... me abrir para ele. Recebê-lo inteiramente. Envolvê-lo num labirinto de felicidade a dois.
Sei que é você.

(Fala transcrita do filme "Asas do desejo" de Wim Wenders de 1987)

15 abril 2007

A História da Eternidade





Sinopse: A História da Eternidade é um falso plano-sequência que pretende conduzir o espectador a uma viagem dentro dos instintos humanos, através de uma linguagem poética e metafórica. Acontecimentos que representam um amplo panorama da civilização ocidental e tudo que o ser humano é capaz, desde trucidar seu semelhante brutalmente até inventar a arte para libertar os sonhos estão presentes neste exercício visceral que expõe, sem concessões, a eterna tragédia humana.
Gênero: Experimental - Duração 10 min (2003)

08 abril 2007

Estrada




Sinopse: Episódio da série A Felicidade É... Dois casais amigos, vivendo um raro momento de felicidade, tomam a estrada em direção à serra para passar o que promete ser o feriadão ideal. Um caminhoneiro, vivendo seu inferno astral, tem que entregar uma encomenda numa cidade distante, com seu caminhão velho e sem freios, e voltar correndo para um insuportável compromisso doméstico. Num breve futuro, estes dois caminhos vão terminar se cruzando. Mas quem acredita em Destino?