08 abril 2007

Estrada




Sinopse: Episódio da série A Felicidade É... Dois casais amigos, vivendo um raro momento de felicidade, tomam a estrada em direção à serra para passar o que promete ser o feriadão ideal. Um caminhoneiro, vivendo seu inferno astral, tem que entregar uma encomenda numa cidade distante, com seu caminhão velho e sem freios, e voltar correndo para um insuportável compromisso doméstico. Num breve futuro, estes dois caminhos vão terminar se cruzando. Mas quem acredita em Destino?

30 março 2007

Distração

Sem muita paciência para escrever, mas também não vejo motivo de escrever... até porque certas coisas é melhor não mesmo escrever e permitir o silêncio tal como a distração dizer mais que aquilo que as palavras em determinado momento diz.

11 março 2007

Silêncio

E nos dias de chuva que a solidão se apresenta dá-me um alívio estranho. Foge a sensação que é do calor do Rio de Janeiro, daquele que no outro lado da calçada visualizamos a estátua com pequenos movimentos a dançar mediada pelo vapor quente, que se encontra um amigo com quem em uma pequena mesa de bar tem lugar boas risadas e conversas estimulantes que ficarão na memória por muito tempo pelo companheirismo da boemia em comum. Foge esta sensação por não lembrar da mesma amizade em dia de chuva - água que por mais poluída seja não chegou ao ponto de corroer-nos e ainda assim limpa algumas das sujeiras dos dias quentes, como alguns sorrisos amarelos e quase lânguidos dos dias de sol – e me aparece a triste solidão não pela gripe do amigo doente e sim porque não sei onde moram, não me foi dado e convidado a seu endereço... sei sua marca de cerveja preferida, sei que detesta chocolate, mas não sei onde moram e nunca falei com pessoas que moram com ele e que teoricamente o conhecem meu amigo melhor que eu.
O meu alívio é que nos dias de chuva ele está com tanta pressa, evitando se molhar, que não cogita a possibilidade de parar para conversar, isso de nada faz falta, nem ao menos o telefone aumenta a freqüência de toques e muito menos toca a campainha de minha casa... aquela que meu endereço dei na ocasião da festa de aniversário que ninguém foi porque estava chovendo.

08 janeiro 2007

Descobertas

Pego um cigarro, depois de meses nem lembrava mais do sabor, eu nem queria antes de ser oferecido e não subestimei minha vontade... a boca seca pede algo mais, compro uma cerveja e bebo. Existiam então dois sabores amargos e talvez estivesse eu amargo, um gosto doce poderia aliviar... ingenuidade... e registrada em fotografia...
Todos os dias sou desafiado a repetí-lo, desejo experimentar deste mesmo sabor, e um homem sensato se angustia pelas memórias de uma única noite que o deixa insano e perdido, substituindo dia após dia, como pode, aquele doce pelo amigo amargo.
Encena paixões, beija cópias platônicas e evitando o perigo fatal se estranha! Se fosse criança, talvez não fosse infantil, pois ao seu querer necessário, algo, aquilo que deseja não seria negado. Ironicamente às vezes se esquece, vai a busca de outros aromas, delicia-se em novidades casuais... mas fragmentos de lembrança pulsam extinguindo a passageira enganação, de satisfação com o temporário apetite, e como um gatilho qualquer a disparar se desperta, passa novamente a sonhar e sem saber qual é sua lucidez diz:
- Este homem, de quem digo, sou eu!?!?
A resposta é um silêncio que diz: - Vá!!!

10 dezembro 2006

Arte?

Pensando em escrever... vazio...
Nada aparece,
Senão o próprio nada.
Em escrita aparecem fragmentos,
O nada se torna algo,
Que sem descrição é criação...
Igual a outros vazios que escrevemos
E pensamos ser alguma coisa.
Considerado artístico é a criação,
Preenchimento daquilo antes nada
Mas que ao criador... declaração.
Sua loucura revelada,
Qual poucos compreenderão.
Naquele nada existe algo,
Uns chamarão beleza,
Outros execrarão
Poucos percebem a verdade:
O chamado artista conotando solidão.

28 novembro 2006

Transmutação

Quando olhei para mim mesmo algo estranho ocorreu, eu não era mais eu, aquele eu que seria para outros e para mim mesmo...foi ao mesmo tempo que vi os outros não serem mais ninguém, pois não espelhavam mais um exemplo de eu, algo que poderia tomar em alguma instância a mim mesmo...

Eu – múltiplo, eu – único, em coexistência por meio de acontecimento pela experiência, não mais por expectativas nem próprias nem de outros.

Bebo um gole de água, tem um gosto diferente da mesma água que a pouco tomei... e ainda assim não faz tanta diferença porque ela antes já devia ter esse gosto.Encerra-se o momento de perguntas e ter respostas, neste momento apenas percebo e me calo.

08 novembro 2006

Sonhos

Antes do pôr-do-sol desejo realizar meus sonhos, mas agora é hora de levantar e tentar lembrar com o que sonhei. Aos poucos percebo que sonhei tudo se desfazer, eu pergunto que importância isso tem... então deixo de lado os vestígios oníricos, pois ao que me lembre todos os dias meus sonhos são diferentes um do outro.
Sonhos são determinados? As vezes tenho uma estranha clareza que só os conheço quando estou cara-a-cara com tal objeto sonhado, que na verdade sonho na noite seguinte com o que não pude alcançar, seja por medo ou mesmo por considerar desejo uma coisa tão invariável. Não é assim o determinado passado a esclarecer objetivos... mudo no dia seguinte de forma que me distraio de valores preconcebidos e acontece o inesperado, mas um inesperado daquele tipo que nos conforta de tal modo que a fazer-nos deleitar em uma plácida alegria de realização, comparo com o passado e nele é assustador que aquele presente não existiria em meu pensamento, contraditoriamente investigo meu passado e deparo com o fato que foi ele a propiciar o encontro. Regras? Não parecem existir! Ou até existem, mas apenas em vontade de controlar ações, e pensando assim será certo eu realizar meus desejos até o pôr-do-sol? Apesar do dia claro não sei ainda se ficará nublado, se ficarei dentro de uma sala sem a noção do tempo, e aliás é necessário dizer que sempre gostei mais de olhar para a lua.
Embora haver sempre espaço ao questionamento “não pode ser na verdade o meu grande sonho somente viver sonhando?” prefiro acreditar que todo o passado e sonhos são uma coisa só... e com isso desejos potentes, sempre em transformação, mesmo em meio da repetição que nos parece.