Em outra parte da cidade, aquela que não produz poetas mas jogadores de futebol, são quase 21hs. Nesta parte da cidade de gente comum, em suas vidas cotidiana em que cumprem tarefas como trabalho, estudos e família (família é uma tarefa que exige trabalho), não há muito espaço a novidades como existe na cidade a beira-mar onde tudo é só cintilância - sejam pessoas e suas jóias e sorrisos ou a boa manutenção do Estado em fazer componentes de cada parte desta cidade a beira-mar brilhar como se sempre fosse lua cheia.
E saindo do metrô que ainda lotado, na linha 2, ao andar 10min para finalmente chegar em sua casa após uma longa jornada de trabalho ele vê e sente o calor de um incêndio em um pequeno comércio próximo a sua casa, tipo de coisa que nem todos os dias se vê porque era como se pudesse observar um pequeno sol enjaulado que lutando para sair em plena noite de Irajá.
Ainda que longa a jornada de seu dia, as dores que seriam justas a um trabalhador exausto desaparecem, é tão curiosa a cena que voltar para o lar não parece necessário.
Se um trabalhador pode se dar ao direito de assistir, como se mais nada importante tivesse em pleno final de noite de uma quarta-feira, então, não seria surpreendente que outros curiosos - que de vã tentativa seria buscar definir suas atividades diárias - não se aglomerassem para também assistir. Assistem o incêndio, alguns do início ao fim! Quando os bombeiros terminam definitivamente seu serviço já são mais de 2hs de quinta-feira e tudo que resta era cinza, variando pouco de cinza para cinza...
Ninguém se dá conta que dono daquele comércio perdeu o que tinha, que naquele momento tudo perdera daquilo que batalhou por anos para conseguir, bem este que perdeu durante os momentos de entreternimento da multidão que curiosamente consegue rir com piadas do churrasco sendo realizado.
Ironicamente a desgraça de uns é o entreternimento de outros, nada mais cotidiano...
16 fevereiro 2008
12 fevereiro 2008
Temas do cotidiano I
Era noite de lua cheia, a cidade estava parcialmente cintilante com a luz do luar e a outra parte escura como sempre é... a beleza da lua que encanta os poetas é melancólica quando se fecha os livros para andar na cidade. Mas que bobagem minha... ninguém abre livro, consulta-se internet para apreciar palavras que sejam agradáveis...
"- Quero saber do luar, escolho palavras que desejo sentir a respeito do luar que o Google possa me fornecer.
Resultados 1 - 100 de aproximadamente 1.150.000 para luar lindo amor alegria feliz (0,65 segundos)
Pessoas falam de sofrimento, de pobreza, de tristeza... sei que não sou pobre, mas sei o que é sofrer, as vezes tenho até depressão sabe? Mas uma coisa que aprendi é que tristeza nenhuma no mundo permanece quando se tem pessoas que te apoiam e te fazem sentir especial! Nossa... quando entro no Orkut na comunidade 'Fico na NET até de Madrugada' e converso por algumas horas com o pessoal é como se todo o peso da vida sumisse, sendo eu leve como uma pluma."
Nas ruas crianças com armas na mão te pedem cigarro, mendigos convulsionam com espuma a sair entre lábios, evangélicos a levar a bíblia a quem tem fome, jovens alcoólatras dormindo em banco de praça, negros sendo revistados como bandidos por policiais negros, fétido humano na sarjeta banhado em próprio mijo a dormir ao meio-fio, execução de espancamento do crime de não ser heterossexual no gênero masculino... coisas que a luz do luar não fazem beleza, apesar de alguns considerarem bonito os evangélicos darem bíblia a quem tem fome.
"- Quero saber do luar, escolho palavras que desejo sentir a respeito do luar que o Google possa me fornecer.
Resultados 1 - 100 de aproximadamente 1.150.000 para luar lindo amor alegria feliz (0,65 segundos)
Pessoas falam de sofrimento, de pobreza, de tristeza... sei que não sou pobre, mas sei o que é sofrer, as vezes tenho até depressão sabe? Mas uma coisa que aprendi é que tristeza nenhuma no mundo permanece quando se tem pessoas que te apoiam e te fazem sentir especial! Nossa... quando entro no Orkut na comunidade 'Fico na NET até de Madrugada' e converso por algumas horas com o pessoal é como se todo o peso da vida sumisse, sendo eu leve como uma pluma."
Nas ruas crianças com armas na mão te pedem cigarro, mendigos convulsionam com espuma a sair entre lábios, evangélicos a levar a bíblia a quem tem fome, jovens alcoólatras dormindo em banco de praça, negros sendo revistados como bandidos por policiais negros, fétido humano na sarjeta banhado em próprio mijo a dormir ao meio-fio, execução de espancamento do crime de não ser heterossexual no gênero masculino... coisas que a luz do luar não fazem beleza, apesar de alguns considerarem bonito os evangélicos darem bíblia a quem tem fome.
Continua...
05 janeiro 2008
Espera
Um mandarim estava apaixonado por uma cortesã. "Serei sua, disse ela, quando tiver passado cem noites a me esperar sentado num banquinho no meu jardim, embaixo da minha janela."
Mas, na nonagésima nona noite, o mandarim se levantou, pôs o banquinho embaixo do braço e se foi.
Mas, na nonagésima nona noite, o mandarim se levantou, pôs o banquinho embaixo do braço e se foi.
Extraído de "Fragmentos de um discurso amoroso"
Roland Barthes
03 novembro 2007
08 outubro 2007
Todas as mulheres do mundo
Sinopse: Esta envolvente comédia de costumes dirigida por Domingos Oliveira, mesmo realizador de Amores, relata a trajetória de Paulo (Paulo José), bon vivant que vive paquerando as belas mulheres da zona sul carioca. Mas este sedutor profissional acaba encontrando o amor ao cruzar com Maria Alice, jovem professora vivida por Leila Diniz. A narrativa é feita a partir de uma conversa entre Paulo e seu amigo Edu (Flávio Migliaccio). Por meio de flash-backs, Paulo conta sobre seu relacionamento com Maria Alice, desde que a conheceu numa festa de Natal, em seu apartamento. Ao ver a moça pela primeira vez, Paulo imediatamente
se apaixona e faz de tudo para conquistá-la, apesar de ela estar acompanhada do noivo. Também enfrenta o conflito de desistir de todas as mulheres do mundo para viver com uma só. Mas não se arrepende: Maria Alice é uma mulher sensual, inteligente, alegre, sincera, carinhosa e ótima amante. O roteiro aborda os conflitos existentes, na década de 60, entre os velhos e novos papéis sociais femininos e masculinos. Grande sucesso de crítica e público, o filme é baseado no relacionamento de Domingos Oliveira e Leila Diniz, que por seu desempenho ganhou o Prêmio Air France de 1967. 
Trata-se de um filme de 1967 e isso me faz sentir um pouco mais velho? Não... arte não é feita nunca exatamente para sua própria geração... mas nem é pela arte que me causa admiração esnte filme e sim porque diz respeito a uma coisa extremamente simples e ao mesmo tempo complicada de entender principalmente pelas mulheres, mas não somente por elas porque nós não sabemos também o porquê acontece de em algum momento desejarmos tanto uma mulher a ponto de nos abdicar de ter todas as mulheres para ter apenas uma e a essa voltar todo desejo que antes era para todas.
Mas não é qualquer uma que se compara a uma Leila Diniz...
02 outubro 2007
Noruega
"Minha realidade, este inverno, é feita de muitas coisas. Até isto: acordo de um cochilo. O avião aproxima-se de uma cidade. O sol se põe atrás de altas montanhas. Bem lá embaixo, as luzes se acendem em milhares de janelas e anúncios. Por um momento, não consigo lembrar para onde estou indo. As cidades se parecem tanto quanto os aviões que para elas me levam. É inquietante que o lugar para onde a pessoa vai tenha tão pouca importância. As mesmas mulheres e os mesmos homens estarão à espera junto às mesmas portas e exclamarão idênticas palavras de boas-vindas, quando me avistarem. Pessoas oferecendo flores e gentilezas, mas com uma pressa louca de me empurrarem para dentro de um carro e me levarem até algum hotel de luxo, no qual poderão abandonar-me e ir para casa, viver suas próprias vidas. Uma suíte com saleta e quarto, macias poltronas estofadas em seda, janelões que dão para uma piscina rodeada de palmeiras.
Champanha e gelo, com os cumprimentos da gerência. Flores e cestas de frutas. O pessoal da portaria curvando-se, ao entrar e sair com minha bagagem, minhas cartas e meus recados telefônicos. Sorrisos e gentilezas e toda a irrealidade de que se revestem.
Enquanto eu sorrio, entusiasticamente, e agradeço."
Champanha e gelo, com os cumprimentos da gerência. Flores e cestas de frutas. O pessoal da portaria curvando-se, ao entrar e sair com minha bagagem, minhas cartas e meus recados telefônicos. Sorrisos e gentilezas e toda a irrealidade de que se revestem.
Enquanto eu sorrio, entusiasticamente, e agradeço."
(Trecho do livro "Mutações" de Liv Ullmann)
19 setembro 2007
Assinar:
Postagens (Atom)
